
Políticos, analistas e instituições expressaram forte descontentamento em relação ao discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante uma entrevista em Adis Abeba, na Etiópia, onde participou da 37ª Cúpula da União Africana e reuniões bilaterais com líderes africanos. Em foco, suas polêmicas declarações sobre a guerra em Gaza, comparando-a à perseguição do nazismo aos judeus.
A oposição e a frente parlamentar Brasil-Israel reagiram veementemente, com o líder do PP no Senado, Ciro Nogueira, classificando as afirmações como “vergonhosas”. O Grupo Parlamentar Brasil-Israel emitiu um comunicado oficial condenando as declarações de Lula, considerando-as “tendenciosas e desonestas” e alertando para o impacto negativo na posição do Brasil como negociador pela paz.
O Instituto Brasil-Israel também repudiou as falas, enfatizando que a comparação feita por Lula é um “erro grosseiro que inflama tensões”. A Confederação Israelita no Brasil (Conib) chamou a declaração de “distorção perversa da realidade” e apontou a postura “extrema e desequilibrada” do governo brasileiro em relação ao conflito no Oriente Médio.
A Fundação Getulio Vargas (FGV) alertou para o impacto internacional, destacando que a comparação com o Holocausto prejudica a imagem do Brasil no Ocidente. O professor Oliver Stuenkel ressaltou que, no Sul Global, onde críticas a Israel são mais comuns, a reação pode ser vista de forma diferente.
Por outro lado, a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, defendeu Lula, direcionando críticas ao governo de Israel. Ela afirmou que as declarações foram dirigidas ao “governo de extrema-direita de Israel” e não ao povo israelense. Netanyahu convocou o embaixador brasileiro para esclarecimentos, enquanto Gleisi argumentou que o foco deveria ser a situação do povo palestino.
As divergentes reações destacam a complexidade diplomática envolvida e levantam preocupações sobre o impacto das declarações de Lula nas relações internacionais do Brasil.
Redação com informações do Valor Econômico





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