Jornalista Teogilza Camargo: 4 décadas em busca de Nilza, a mãe que virou silêncio

Por mais de 40 anos, a jornalista Teogilza Camargo, também conhecida como Theo Camargo, tem percorrido caminhos tortuosos em busca de respostas sobre um vazio que começou ainda na infância: o desaparecimento de sua mãe, Nilza Camargo de Lima. “Se quiser saber sobre sua mãe, saia de casa”, foi o que ouviu quando decidiu enfrentar a neblina de silêncio que encobria sua história. Desde então, a busca se transformou em missão de vida.

Aos cinco anos, Teogilza presenciou, sem entender, a despedida de sua mãe. Uma imagem ficou cristalizada no tempo: Nilza, com um vestido rodado estampado e sapatos brancos, chorava ao prometer que voltaria para buscar as filhas. Não voltou. Teógenes, o pai, calado, apresentou às meninas uma nova mulher: “De hoje em diante, ela será a mãe de vocês”. Nilza desapareceu. A única lembrança concreta é uma fotografia: duas meninas de vestidos claros e olhares vazios assistem a mãe sumir na distância.

Teogilza cresceu entre silêncios e proibições. Falar de Nilza era tabu. A nova mãe, Maria Hermínia, também submetida ao controle do pai, assumiu o lugar sem jamais preencher o vazio. As filhas eram punidas com castigos físicos e cercadas de medo. Maria, como Nilza antes dela, também foi trancada em casa, também foi silenciada.

Apesar das dificuldades, Teogilza não se conformou. Procurou por Nilza em arquivos hospitalares, rádios, programas de TV. Tentou reunir qualquer pista que pudesse levá-la ao paradeiro da mãe. Bateu à porta de parentes que se recusavam a falar, alegando medo de Teógenes. Ao confrontar o pai, ele nunca deu respostas. “Ela morreu”, dizia, ou então: “Mesmo se estiver viva, lembre-se que ela abandonou vocês.”

A jornalista tentou decifrar fragmentos de memória. Lembra-se de um encontro estranho com a mãe quando tinha quatro anos: as duas em frente a uma TV jornalística, observando um homem se aproximar de uma lambreta. Lembra da angústia no rosto de Nilza. Lembra de suas mãos na cabeça da menina: “Não fique assim, galeguinha.” Era um encontro de despedida? Um pedido de ajuda?

As décadas passaram. O pai, que trocava de endereço constantemente para não ser localizado, morreu sem dizer uma palavra sobre Nilza. A foto da despedida, guardada como relíquia, virou símbolo da ausência: é o retrato do instante em que a infância foi rompida. Nele, Teogilza vê uma menina assustada olhando para a mãe – e também para o futuro incerto.

Hoje, jornalista experiente, Teogilza transforma sua história pessoal em denúncia e resistência. Em sua trajetória na busca por Nilza, reúne memórias, dores e indícios que possam, um dia, levá-la à verdade. “Essa foto é um espelho”, diz. Um reflexo da menina que ainda espera por respostas e da mãe transformada em mito, em fantasma, em silêncio.

Nilza, onde você está?

Apelo da filha para mãe desaparecida:

Olá. Eu sou Teogilza Camargo, de Recife-PE, e estou procurando por minha mãe, Nilza Camargo de Lima, que me deixou desde pequena e teve três filhas, no Hospital da Aeronáutica do Recife. Se tiver alguma informação sobre ela, por favor, entre em contato comigo através do meu Facebook: @teogilzacamargo. E, se puder divulgar este pedido, agradeço desde já.

Fotos: Arquivo Pessoal

Deixe um comentário

MAIS NOTÍCIAS

Descubra mais sobre BLOG TV UMBURANAS

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue lendo