Presidente dos Correios aumenta seu salário para mais de R$ 53 mil durante crise financeira da estatal

Fabiano Silva e o presidente Lula/Foto reprodução X

Em meio a um prejuízo recorde de R$ 2,6 bilhões em 2024, o presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, concedeu a si mesmo um aumento salarial de 14% desde que assumiu o cargo em 2023. O salário mensal de Santos passou de R$ 46.727,77 em março de 2023 para R$ 53.286,39 em abril de 2024.

Além do salário, benefícios como auxílio-moradia, auxílio-alimentação e previdência complementar também foram reajustados. O auxílio-moradia aumentou de R$ 4.300 para R$ 4.700, o auxílio-alimentação de R$ 699 para R$ 1.036, e a previdência complementar de R$ 7.600 para R$ 7.900.

Os diretores da estatal também receberam aumentos salariais, passando de R$ 40.632,85 para R$ 46.336,00 entre o início da atual gestão e 2024 .

A estatal justificou os reajustes afirmando que seguiram autorizações do governo federal e decisões da Assembleia-Geral Ordinária, sendo de 9% em 2023, igual ao concedido aos servidores federais, e de 4,62% em abril de 2024, equivalente ao IPCA do período .

Apesar dos aumentos, os Correios enfrentam uma grave crise financeira. O prejuízo de R$ 2,6 bilhões em 2024 é quatro vezes maior que o registrado em 2023, quando a empresa teve um déficit de R$ 597 milhões . A empresa atribui parte dos resultados negativos à “taxa das blusinhas”, que impactou negativamente o balanço da empresa.

Em resposta à crise, os Correios anunciaram medidas como a suspensão de férias e a exigência de trabalho presencial a partir de junho de 2025 .

Fabiano Silva dos Santos foi indicado ao cargo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e teve seu nome aprovado pelo Conselho de Administração em fevereiro de 2023. Advogado e professor universitário, Santos atuou no grupo Prerrogativas, ligado a Lula e crítico à Operação Lava Jato. Ele assumiu a presidência da estatal com a incumbência de impedir a privatização e removeu os Correios do Programa Nacional de Desestatização em 2023.

A situação atual dos Correios levanta questionamentos sobre a gestão da estatal e a adequação dos aumentos salariais em meio a uma crise financeira sem precedentes.

Redação com informações do site Metrópoles e da Revista Oeste

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