URGENTE – Morre Sebastião Salgado, o fotógrafo brasileiro que transformou a dor e a beleza do mundo em arte

O mundo perdeu nesta sexta-feira (23) uma de suas lentes mais sensíveis e potentes: o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado morreu aos 81 anos em Paris, onde vivia desde a década de 1970. Reconhecido internacionalmente por seu olhar humanista e por sua arte em preto e branco, Salgado deixou um legado que ultrapassa a fotografia — tocou o jornalismo, a arte e a luta ambiental.

Nascido em Aimorés, no interior de Minas Gerais, Salgado teve a infância marcada pelo cotidiano rural no Vale do Rio Doce. Formado em Economia, iniciou sua carreira como fotógrafo aos 30 anos, na França, após abandonar uma promissora trajetória em organizações internacionais. Com uma câmera na mão e um olhar voltado para as margens da sociedade, ele passou a documentar os dramas e a resistência dos invisíveis.

Trabalhou para agências como Sigma, Gamma e Magnum, e construiu uma obra que percorre os extremos da condição humana. Imagens de trabalhadores, refugiados, sobreviventes de guerras e desastres ambientais compõem séries como Êxodos, Terra e Outras Américas. Em Gênesis e Amazônia, voltou seu foco à natureza, registrando paisagens quase intocadas e povos originários.

Seu trabalho não apenas documentou, mas também denunciou. Em 1986, em Serra Pelada (PA), captou uma das imagens mais impactantes do século XX: milhares de homens escavando a terra em busca de ouro. A fotografia, escolhida pelo The New York Times como uma das 25 que definem a era moderna, evidenciou a brutalidade da exploração humana.

“Sebastião foi muito mais do que um dos maiores fotógrafos de nosso tempo. Ao lado de sua companheira de vida, Lélia Deluiz Wanick Salgado, semeou esperança onde havia devastação”, disse o Instituto Terra em nota. A ONG, fundada pelo casal em Aimorés, é hoje referência mundial em restauração ambiental, especialmente da Mata Atlântica.

A obra de Salgado foi reconhecida pelas mais prestigiadas instituições culturais. Ele foi membro da Academia de Belas Artes da França, desde 2017, e colecionou prêmios como o W. Eugene Smith, o World Press Photo, o Hasselblad, o Jabuti e o Príncipe de Astúrias das Artes — sendo o primeiro fotógrafo a recebê-lo. Em 2024, recebeu o prêmio de Contribuição Extraordinária à Fotografia do Sony World Photography Awards.

“Suas imagens se transformaram em um símbolo do jornalismo fotográfico contemporâneo”, declarou a Organização Mundial de Fotografia.

Sebastião Salgado deixa não apenas uma vasta galeria de imagens, mas um convite permanente à reflexão sobre a desigualdade, a resistência, a natureza e a esperança. Sua arte não cessará com sua partida — continuará a nos interpelar sobre que mundo queremos ver, e principalmente, sobre o que não devemos mais ignorar.

Redação com informações da BBC Brasil/Fotos Getty Imagens

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