
A Justiça de Pernambuco desarmou, nesta quinta-feira (21), mais uma tentativa de golpe interno no PSDB da Assembleia Legislativa. O juiz da 16ª Vara Cível do Recife, Fernando Jorge Ribeiro Raposo, anulou a reunião que havia destituído a deputada Débora Almeida da liderança da legenda e determinado sua substituição pelo recém-filiado Diogo Moraes. Além de manter Débora no cargo, o magistrado impôs uma multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento da decisão — um recado duro contra práticas políticas consideradas atropelos às normas partidárias.
Com a determinação judicial, Moraes, que já havia se colocado como presidente da CPI da Publicidade, pode ser obrigado a abandonar o posto. A decisão não apenas restabelece a liderança legítima do PSDB na Alepe, mas também expõe a pressa e a falta de legitimidade da manobra conduzida para beneficiar o deputado, cuja filiação sequer respeitou o estatuto partidário, segundo a própria ação movida por Débora.
“Eu sigo como líder do PSDB e membro da CPI. Essa decisão mostra que não se pode passar por cima das regras para atender a interesses pessoais”, afirmou Débora Almeida, reforçando a proximidade com a governadora Raquel Lyra, de quem é aliada de primeira hora.
A anulação enfraquece o movimento oposicionista que tentava transformar a CPI da Publicidade em palco de desgaste para o Governo do Estado. O próprio contexto da comissão já vinha sendo questionado por sua formação apressada, com mudanças partidárias costuradas nos bastidores para garantir maioria oposicionista.
Enquanto Diogo Moraes amarga a derrota judicial, outro nome da oposição também virou alvo de críticas: o presidente da Alepe, Álvaro Porto (PSDB). O movimento Livres divulgou nota em que repudia a postura de Porto ao expor dados pessoais de um assessor da governadora Raquel Lyra, classificando o ato como “espionagem contra cidadãos”. A acusação, grave, coloca em xeque não apenas a conduta institucional do chefe do Legislativo, mas também a seriedade das ações oposicionistas que, em vez de se concentrarem em fiscalizar com responsabilidade, parecem optar por práticas de intimidação e perseguição.

A soma dos episódios revela um cenário preocupante: de um lado, Diogo Moraes tentando o poder por meio de atalhos questionáveis; do outro, Álvaro Porto cedendo a métodos condenáveis para atacar adversários. Ambos, em vez de fortalecerem o debate democrático, terminam por desgastar ainda mais a imagem do Legislativo pernambucano, já marcado por disputas internas e batalhas judiciais.
Se a multa imposta pela Justiça é um freio necessário à ambição desmedida de Moraes, a crítica pública ao comportamento de Porto reforça que a política estadual precisa urgentemente resgatar limites éticos e respeito às regras — sob pena de transformar a Alepe em palco permanente de manobras e escândalos.
Redação com informações do Blog Dellas/JC





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