
Estudar fora do Brasil é um sonho cada vez mais presente entre jovens e famílias que buscam ampliar horizontes acadêmicos, profissionais e culturais. No entanto, junto ao entusiasmo, surgem também muitas dúvidas: é preciso ser bilíngue? Apenas alunos com notas altas conseguem? O custo é sempre elevado?
Para esclarecer o que é realidade e o que é mito nesse processo, quatro educadores de escolas bilíngues que integram a International Schools Partnership (ISP) compartilharam experiências e orientações. O levantamento aponta nove aspectos fundamentais que devem ser considerados por quem deseja ingressar em uma universidade internacional.
Segundo Samuel Ferreira Gama Junior, consultor de carreiras da Escola Bilíngue Aubrick, não é verdade que estudar fora seja viável apenas para famílias com grande poder aquisitivo. Há universidades em países com custo de vida mais acessível e instituições que oferecem bolsas de estudo, integrais ou parciais, baseadas em mérito acadêmico, engajamento social, esportes ou talentos específicos.
O planejamento antecipado, porém, é indispensável. Os processos de admissão podem começar até dois anos antes das aulas, envolvendo provas, redações, entrevistas e cartas de recomendação. Além disso, a proficiência no idioma do país é exigência comum, comprovada por exames como TOEFL, IELTS ou DELF.
Para Renata Bonacin, coordenadora do IB-DP do Colégio Progresso Bilíngue, estudar em uma escola com currículo bilíngue é uma vantagem importante: além de preparar para os exames de proficiência, facilita a adaptação acadêmica e cultural na vida universitária internacional.
Outro equívoco frequente é imaginar que apenas estudantes com notas impecáveis conquistam vagas. As universidades analisam o candidato de forma ampla, valorizando também criatividade, liderança, participação em projetos sociais ou esportivos e capacidade de trabalho em equipe.
Os critérios de seleção variam de acordo com cada país e instituição, indo de provas padronizadas a entrevistas e cartas de motivação. Nesse cenário, Marilda Bardal, coordenadora de relações internacionais e institucionais da Escola Internacional de Alphaville (EIA), reforça que a experiência internacional não está restrita a universidades de prestígio mundial: estudar fora, independentemente do ranking da instituição, já proporciona ganhos pessoais, acadêmicos e profissionais significativos.
Além disso, estudantes brasileiros contam, sim, com suporte para adaptação. Muitas universidades oferecem programas de acolhimento, apoio acadêmico, acompanhamento de saúde mental, alojamento e orientação de carreira. Em diversos destinos, é possível ainda trabalhar até 20 horas semanais durante o período letivo, o que ajuda na renda e na prática do idioma, além de permitir viagens e imersões culturais.
Por fim, Ana Cláudia Gomes, counselor da Brazilian International School (BIS), destaca que em muitos países não é necessário escolher a carreira de imediato. O estudante pode ingressar indeciso e, após o primeiro ano, optar pela especialização — um modelo que dá mais tempo para amadurecer a escolha profissional.
A conclusão dos educadores da ISP é unânime: estudar fora não é um caminho restrito a poucos, mas um processo que exige planejamento, dedicação e disposição para enfrentar novos desafios.
Foto: Divulgação/Internacional Schools Partnership





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