
A possível reaproximação entre o PT, de Lula, e o PSB, de João Campos, reacende um velho dilema da política pernambucana: até que ponto vale a pena para os petistas repetir uma aliança que, quase sempre, termina em prejuízo para eles?
A história mostra que, desde Miguel Arraes, os socialistas nunca entregaram ao PT a força política prometida. Em 1989, Arraes chegou a subir no palanque de Lula, mas a influência não foi suficiente nem para garantir um desempenho expressivo do petista no estado. Nos anos seguintes, o cenário se repetiu: em 1994 e 1998, mesmo com o apoio do então maior líder do PSB no Nordeste, Lula terminou derrotado em Pernambuco, onde Fernando Henrique Cardoso saiu vitorioso.
Internamente, o PT ainda teve de lidar com episódios em que viu aliados socialistas se beneficiarem de suas fragilidades. Em 2012, por exemplo, Eduardo Campos orquestrou um movimento que minou a candidatura de João da Costa (PT) à reeleição no Recife. O golpe final veio quando lançou Geraldo Julio (PSB), tirando do PT o comando da capital — poder que o partido de Lula nunca mais conseguiu recuperar
Os exemplos se acumulam e deixam claro um padrão: o PSB se aproxima do PT quando precisa de votos e apoio nacional, mas na hora decisiva, atua para enfraquecer os petistas em Pernambuco. Hoje, a prefeitura do Recife segue nas mãos do PSB, já no quarto mandato consecutivo, graças justamente à ruptura com o PT em 2012.
Diante desse histórico, a possível nova aliança soa como um déjà-vu para os petistas. A pergunta que se impõe é se o partido de Lula aceitará, mais uma vez, ser o “lado fraco” de uma relação desigual ou se finalmente romperá com um ciclo que há décadas só serve para fortalecer o PSB às custas do enfraquecimento do PT em Pernambuco.
Redação com informações do Jc





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