
A presença de João Doria, ex-governador de São Paulo, ao vivo nos estúdios da CNN Brasil nesta quinta-feira (2), marcou mais do que uma simples entrevista política. Foi a demonstração pública de que a emissora encerrou de vez o veto ao nome do empresário e político, imposto durante a gestão de João Camargo na presidência do canal. O movimento simboliza também a pá de cal na relação entre Camargo e o fundador da CNN Brasil, o empresário mineiro Rubens Menin.
Doria, que já foi figura frequente nas telas da CNN, havia desaparecido da programação desde 2022, justamente quando Camargo assumiu o comando do canal. O ex-governador e o ex-presidente da emissora disputam influência em um mesmo campo: a conexão entre autoridades e empresários em eventos de grande porte. A reaproximação entre Doria e a CNN se dá logo após a saída conturbada de Camargo do cargo.
Segundo reportagem da Revista Piauí, a relação entre Menin e Camargo, antes marcada por confiança, começou a ruir após a compra da rede Transamérica pelos irmãos Camargo em fevereiro deste ano. O investimento, estimado em R$ 70 milhões, resultou em um plano ambicioso: transformar a rádio em CNN/Transamérica, transmitindo parte da programação da emissora de televisão. Uma equipe de cerca de 30 profissionais chegou a se reunir semanalmente na sede da CNN para preparar o lançamento, previsto para setembro.
O problema surgiu quando Menin descobriu que não havia sido informado de que a rádio levaria o nome da CNN nem de que o projeto já mobilizava recursos e funcionários da emissora. O impasse em torno do CNPJ para contratação de pessoal externo revelou o tamanho da falta de alinhamento.
Apesar de Camargo ter conseguido reverter o prejuízo da CNN Brasil — que, em 2022, registrava um déficit de R$ 100 milhões — e ter colocado a operação no azul no ano passado, a disputa pelo controle estratégico do canal e a surpresa com a condução da Transamérica desgastaram a relação.
A entrevista de Doria, transmitida com destaque pela CNN, simboliza uma mudança de rota e um recado claro: o canal busca se distanciar da gestão Camargo e retoma antigos espaços, mesmo que isso signifique reabrir portas para desafetos do ex-presidente.
Redação com informações da Revista Piauí e do blog Ricardo Antunes





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