
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a retomada de um inquérito que estava paralisado há cerca de dois anos e que investiga o deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP). A investigação havia sido aberta originalmente em 2018, mas ficou sem andamento diante de impasses sobre competências e a falta de definição sobre sua tramitação na Corte.
O despacho assinado por Mendonça, publicado no início de dezembro passado, requisitou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma manifestação sobre o caso, abrindo espaço para que o processo tenha prosseguimento, seja com o seu arquivamento ou com a continuidade da investigação.
O que está sendo investigado
O inquérito mira Paulinho da Força por suspeitas de participação em um esquema de captação ilícita de clientes para ajuizamento de ações trabalhistas, a partir da cessão de listas de trabalhadores demitidos obtidas junto a sindicatos nos quais o parlamentar exerceria influência. Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), Paulinho teria recebido pagamentos mensais de R$ 100 mil em dinheiro pelo repasse dessas informações. As listas eram utilizadas por suspeitos — apontados como integrantes de organização criminosa — para ligar a trabalhadores demitidos oferecendo serviços jurídicos.
A investigação começou no âmbito do MPSP, mas passou para a esfera federal quando a Procuradoria-Geral da República pediu que o caso fosse enviado ao STF em razão do foro privilegiado do deputado. O processo ficou sem andamento por causa de dúvidas sobre sua continuidade no Supremo, especialmente após Paulinho ter perdido o mandato em 2023 e, consequentemente, o foro especial; ele voltou à Câmara posteriormente como suplente.
Contexto político mais amplo
O destravamento do inquérito ocorre num momento em que Paulinho da Força tem sido uma figura central no Congresso por sua função como relator do chamado “PL da Dosimetria”. A proposta, aprovada na Câmara dos Deputados em dezembro de 2025, prevê redução das penas aplicadas aos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 — incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses por suposta tentativa de golpe de Estado. Caso o projeto seja aprovado pelo Senado e sancionado, a pena do ex-presidente poderia ser reduzida para metade e facilitar sua progressão de regime.
O assunto tem causado intensos debates políticos, com grupos favoráveis a uma anistia ampla e irrestrita e outros defendendo apenas revisões pontuais nas penas. Paulinho, por sua vez, rejeitou a anistia total e argumenta que seu texto busca um meio-termo entre extremos, embora isso gere críticas de diversas frentes no Congresso.
Redação com informações do Portal UOL





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