João Campos tenta ressignificar polêmica de nomeação em concurso no Recife em meio a acusações de favorecimento

João Campos – Foto: Direção Concursos

A recente crise política envolvendo a nomeação para o cargo de procurador judicial da Prefeitura do Recife voltou a ganhar destaque depois que o prefeito João Campos (PSB) buscou vincular as críticas à sua gestão a um “oportunismo político” e ao cuidado com pessoas autistas, argumento que, segundo críticos, distorce a essência do caso. 

O caso teve início quando Lucas Vieira Silva, classificado em 63º lugar nas vagas de ampla concorrência do concurso realizado em 2022, foi reclassificado, no final de 2025, para a vaga reservada a Pessoas com Deficiência (PCD) e nomeado procurador municipal. A mudança de classificação aconteceu após a apresentação de um laudo de Transtorno do Espectro Autista (TEA) três anos depois do certame, gerando questionamentos sobre a legalidade e moralidade do ato. 

João Campos tem defendido que a discussão trata de direitos de pessoas com deficiência e que sua gestão atua de forma transparente. Em pronunciamento recente, o prefeito criticou a repercussão do caso como “oportunismo político e eleitoral” e ressaltou que a polêmica envolve dois candidatos com deficiência reivindicando direitos administrativos. 

No entanto, especialistas e membros do Legislativo contestam a narrativa oficial, argumentando que a defesa de causas sociais — como a inclusão de pessoas com autismo — não tem relação direta com a manipulação da ordem classificatória de um concurso público. A crítica central é que o ato prejudicou deliberadamente outro candidato PCD que havia cumprido todos os requisitos no processo seletivo original e aguardava nomeação regularmente. 

A controvérsia foi intensificada pelo fato de o candidato beneficiado ser filho do juiz Rildo Vieira da Silva e da procuradora Maria Nilda Silva, figuras influentes no Judiciário e no Ministério Público de Contas de Pernambuco. A proximidade familiar com membros do sistema de justiça alimentou suspeitas de favorecimento e conflito de interesses, principalmente depois que o juiz, pouco antes da nomeação do filho, arquivou uma investigação de suposto esquema de corrupção envolvendo a Prefeitura do Recife. 

Outro ponto que ganhou grande repercussão foi o fato de que três procuradores concursados da Procuradoria do Município haviam negado a reclassificação do candidato, apenas para a posição ser revertida pelo procurador-geral, cargo de confiança indicado pela gestão de João Campos

Em resposta à ampla repercussão negativa, à reação de entidades jurídicas e a um pedido de impeachment protocolado contra o prefeito na Câmara Municipal, João Campos voltou atrás e anulou a nomeação de Lucas Vieira Silva, restituindo a vaga ao candidato originalmente aprovado para a categoria PCD. 

Analistas políticos e juristas lembram que, independentemente da condição de saúde ou de vínculos familiares, a legislação e os editais de concursos públicos exigem critérios claros de inscrição e classificação. A apresentação tardia de um diagnóstico — ainda que legítimo — não deveria, segundo críticos, justificar a alteração de uma lista já homologada, especialmente quando isso prejudica a ordem de classificação e os princípios de isonomia e legalidade previstos na administração pública. 

Redação com informações do blog Direção Concursos

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