
Brasília — A crise que envolve o escândalo do Banco Master e o Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou um novo capítulo nesta semana com a abertura de um inquérito sigiloso pelo ministro Alexandre de Moraes, relator interino da Corte, para apurar um possível vazamento de dados sigilosos de órgãos como a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A investigação foi iniciada sem provocação da Procuradoria-Geral da República (PGR) ou da Polícia Federal, procedimento considerado incomum e que já tem gerado críticas na discussão pública.
O inquérito tem como pano de fundo reportagens recentes que destacaram relações entre familiares de ministros do STF e o Banco Master, instituição financeira sob investigação por supostas fraudes no sistema financeiro e cuja liquidação foi determinada pelo Banco Central. Entre as revelações está um contrato de consultoria e assessoria jurídica no valor de R$ 129 milhões entre o banco e o escritório de advocacia da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes — acordo que previa pagamentos mensais de cerca de R$ 3,6 milhões entre 2024 e 2027, interrompidos após a liquidação da instituição.
Reportagens também têm destacado ligações comerciais de familiares de outro ministro, Dias Toffoli, com pessoas próximas ao controlador do Master, ampliando o debate sobre conflito de interesses e transparência no âmbito da Corte.
A repercussão dessas revelações tem sido intensa não apenas na mídia, mas também no meio político. Parlamentares de diferentes espectros ideológicos têm questionado a atuação de ministros do STF no caso e cogitado mecanismos como a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os fatos, incluindo o contrato da esposa de Moraes com o Banco Master.
A decisão de Moraes de abrir um inquérito de ofício — sem solicitação formal da PGR — para investigar o possível vazamento de informações à imprensa reacendeu debates sobre os limites e critérios de atuação da Suprema Corte. O procedimento, cujo conteúdo corre em sigilo, foi justificado pelo ministro com a suspeita de que dados protegidos tenham sido acessados indevidamente por servidores de órgãos fiscais ou de controle e, depois, repassados a jornalistas.
Críticos da iniciativa afirmam que a abertura da investigação pode estar associada à tentativa de controlar a narrativa em torno do caso do Master, enquanto as próprias suspeitas sobre conflitos de interesse e possíveis influências indevidas permanecem sem esclarecimento público detalhado. Autoridades ouvidas por vários veículos defendem maior transparência e a necessidade de uma apuração independente sobre as relações entre magistrados e os alvos da investigação para resguardar a confiança nas instituições.
Até o momento, o STF não divulgou informações detalhadas sobre o teor nem o andamento do novo inquérito sigiloso.
Redação com informações do jornal Gazeta do Povo





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