
Um convite feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu uma delicada encruzilhada diplomática para o governo brasileiro. A proposta para que o Brasil integre um chamado “Conselho da Paz”, voltado à reestruturação da Faixa de Gaza, expõe divergências históricas da política externa brasileira e cria um impasse estratégico para o Planalto.
Segundo análise do colunista Romualdo de Souza, do Portal UOL, Trump conhece bem a posição do presidente brasileiro em relação ao conflito no Oriente Médio. Lula tem adotado discursos críticos ao governo de Israel e, em diversas ocasiões, demonstrou maior empatia à causa palestina — postura que, para aliados de Israel, acaba sendo interpretada como complacência em relação às ações do grupo Hamas, classificado como organização terrorista por Estados Unidos, União Europeia e outros países.
A movimentação de Trump não é vista como casual. Ao convidar Lula para um conselho que pretende atuar paralelamente às estruturas multilaterais tradicionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente norte-americano pressiona o Brasil a assumir uma posição clara: ou aceita integrar um novo arranjo liderado por Washington ou mantém sua defesa histórica do fortalecimento do sistema multilateral.
No Palácio do Planalto, a avaliação é cautelosa. De acordo com o colunista, a tendência do governo brasileiro é sustentar que a criação do “Conselho da Paz” pode enfraquecer a ONU, argumento semelhante ao utilizado anteriormente pelo ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair em críticas a iniciativas paralelas à organização internacional. O Brasil também tem intensificado consultas diplomáticas com outros países, especialmente os integrantes do Brics, para avaliar os impactos políticos e estratégicos de uma eventual adesão ou recusa ao convite.
A situação coloca Lula em uma “sinuca de bico”, expressão usada por Romualdo de Souza para ilustrar o desafio. Aceitar o convite pode gerar atritos com aliados tradicionais do Sul Global e com países que defendem a centralidade da ONU. Recusar, por outro lado, pode tensionar ainda mais a relação com os Estados Unidos, em um cenário internacional já marcado por conflitos e instabilidade.
Enquanto o governo avalia os próximos passos, o episódio evidencia como a política externa brasileira segue sendo testada em temas sensíveis do tabuleiro geopolítico global, onde cada movimento pode definir não apenas a jogada imediata, mas os desdobramentos futuros.
Redação com informações do colunista Romoaldo Souza, do UOL





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