
A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS) afirmou, em coletiva de imprensa realizada está semana, que a investigação conduzida pela Polícia Civil envolvendo o secretário de Articulação Política e Social da Prefeitura do Recife, Gustavo Monteiro, e seu irmão, Eduardo Monteiro, ocorreu de forma técnica, regular e sem qualquer motivação política.
A apuração ganhou repercussão após reportagem exibida pelo programa Domingo Espetacular, da TV Record, que abordou uma suposta investigação sobre o uso de um veículo oficial para recebimento de propina. Segundo a SDS, o procedimento teve início a partir de uma denúncia anônima deixada na portaria do prédio da secretaria, no bairro de Santo Amaro, no Recife, e foi conduzido entre os meses de outubro e novembro do ano passado.
De acordo com o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, a investigação contou com a atuação de três delegados e sete agentes da área de inteligência da Polícia Civil. As informações trocadas entre os investigadores, inclusive em um grupo de WhatsApp, foram citadas na reportagem, assim como o uso de um dispositivo de rastreamento em um veículo da Prefeitura do Recife, mesmo sem a instauração formal de inquérito policial.
Carvalho garantiu que não houve qualquer irregularidade no procedimento adotado. “Não foi utilizado qualquer método que exigisse autorização judicial”, afirmou, rebatendo as críticas de que a ação teria configurado espionagem ou “arapongagem”. Segundo ele, a atuação da Polícia Civil seguiu o entendimento dos tribunais superiores, que exigem elementos mínimos de prova para abertura de inquérito ou solicitação de medidas mais invasivas.
Durante a coletiva, o chefe da pasta reforçou que a Polícia Civil investiga fatos, e não pessoas. “Qualquer informação que possa ser caracterizada como início de prática penal será apurada, envolva autoridade pública ou cidadão comum”, disse. Ao final da apuração, a denúncia anônima não foi confirmada e o procedimento foi encerrado sem comprovação de crime.
A SDS também informou que abriu apuração interna para investigar um possível vazamento de informações da investigação. Segundo Alessandro Carvalho, a suspeita é de que o vazamento tenha partido de um dos integrantes do grupo de trabalho responsável pelo caso. A secretaria irá apurar a autoria do vazamento e verificar eventual vínculo político do servidor envolvido.
O secretário comentou ainda o afastamento de um agente da área de inteligência que integrava a equipe da investigação, após ser identificado um encontro do servidor com o presidente da Câmara de Vereadores de Ipojuca, que é investigado pela Polícia Civil por desvio de verbas. O agente foi retirado do grupo de trabalho e desligado da área de inteligência no dia seguinte ao fato.
Carvalho criticou a condução da reportagem exibida pela TV Record, afirmando que a matéria teria sido tendenciosa e construída antes mesmo do envio de questionamentos oficiais à SDS. Segundo ele, foi criada uma narrativa de perseguição política que não corresponde à realidade dos fatos.
Após a veiculação da reportagem, aliados do prefeito do Recife, João Campos, compartilharam trechos da matéria nas redes sociais. Em nota oficial, a Prefeitura do Recife repudiou qualquer tentativa de uso das forças policiais para perseguição política e afirmou que não poupará esforços para defender seus servidores nas esferas administrativa e judicial.
A SDS reforçou, por fim, que a denúncia se referia especificamente a um único veículo, o que direcionou a atuação policial, e negou que tenha havido monitoramento de carros particulares de outras pessoas.
Redação com informações da Folha de Pernambuco





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