Mulheres tendem a ter sequelas piores de AVC que homens? Especialista explica

O tipo de AVC, idade da paciente, o tempo entre os primeiros sinais e o atendimento médico, bem como a reabilitação são cruciais para a minimização de sequelas – Imagem: Bigstock

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Acidente Vascular Cerebral (AVC) está entre as principais causas de morte e incapacidade no mundo. No Brasil, a condição também está entre as doenças que mais geram internações e limitações funcionais permanentes.

Também chamado de derrame, o acidente ocorre quando o fluxo de sangue para o cérebro é interrompido (AVC isquêmico) ou quando um vaso sanguíneo se rompe (AVC hemorrágico).

Apesar de ter as mesmas causas para todos os gêneros, mulheres tendem a apresentar desfechos diferentes de AVC em relação aos homens. É o que explica Wagner Reis, médico paliativista da Clínica Florence Recife, hospital especializado em cuidados paliativos e reabilitação. “Elas tendem a ter maior dificuldade para recuperar a autonomia para realizar atividades básicas da vida diária e voltar a ter independência. Em muitos casos, há dificuldade até na chegada ao próprio hospital para um primeiro atendimento no momento em que o AVC acontece”, diz.

Segundo o paliativista, a idade da paciente no primeiro derrame também ajuda a explicar o fenômeno. “Mulheres tendem a ter o primeiro em uma idade mais avançada do que os homens. Nesse contexto, a idade pesa muito, pois, quanto mais elevada, maior a chance de a massa cerebral ser menos resiliente ao impacto recebido durante o AVC, tornando as sequelas mais graves e a recuperação mais desafiadora”, explica.

Ainda assim, a diferença nos desfechos não é uma regra individual nem estritamente ligada ao gênero. “Há mulheres que terão AVCs mais leves e homens que terão casos gravíssimos. Apesar de elas precisarem ficar atentas, o que realmente leva a um AVC grave com sequelas difíceis é o atraso no atendimento médico, o tamanho da área afetada, as comorbidades, a idade avançada e o tipo de AVC, não necessariamente o gênero da paciente”, afirma Wagner.

É possível evitar tipos graves de AVC?

O AVC pode ser prevenido com mudanças no estilo de vida do paciente, tratando comorbidades como pressão alta (principal fator de risco) e diabetes, evitando o tabagismo, o consumo elevado de álcool, o sedentarismo, a alimentação desregulada e situações estressoras.

Para as mulheres fumantes, com pressão alta ou enxaqueca, é necessário ter atenção quanto ao uso de anticoncepcionais, pois o medicamento pode aumentar o risco de AVC nesse público. Por isso, é essencial a consulta com um especialista antes do uso desses medicamentos.

Quanto à gravidade do AVC, Wagner Reis destaca a importância do atendimento imediato assim que surgirem os primeiros sinais, como fraqueza ou formigamento súbito em um lado do corpo, boca torta, fala arrastada ou confusa, perda de visão, tontura severa e dor de cabeça intensa e repentina.

“O cérebro é extremamente sensível ao tempo. O AVC precisa ser identificado rapidamente para evitar sequelas profundas. Existem estudos que mostram que, em alguns sistemas de saúde, as mulheres têm mais atraso entre o início dos sintomas e a chegada ao hospital para os primeiros atendimentos, o que também pode ajudar a explicar por que elas apresentam desfechos mais graves”, afirma Wagner.

“Tive um AVC. E agora?”

Uma das melhores estratégias para minimizar as sequelas após um AVC é a reabilitação, que utiliza a capacidade do cérebro de formar novas conexões e mudar sua estrutura e função (processo conhecido como neuroplasticidade) para reorganizar-se e recuperar funções perdidas.

“É bonito ver como uma paciente que tem acesso à reabilitação o mais cedo possível pode ter um desfecho completamente diferente e mais positivo. Muitas conseguem recuperar sua autonomia ou parte dela”, diz o médico. “É nesse momento que a fisioterapia, a terapia ocupacional e a fonoaudiologia, entre outras especialidades, se tornam partes essenciais do tratamento multidisciplinar pós-AVC e são tão importantes quanto os medicamentos”, complementa.

Além de recuperar a autonomia e a independência, a reabilitação também ajuda a prevenir novos episódios, segundo o especialista. “Uma pessoa que já teve um AVC tem maior risco de ter um novo episódio. Por isso, a reabilitação também atua como prevenção secundária, ajudando a reduzir os fatores de risco e evitar novos acidentes”, finaliza.

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