
Durante todo o mês de abril, empresas e instituições se mobilizam em torno do Abril Verde, campanha dedicada à conscientização sobre saúde e segurança no trabalho. A iniciativa busca promover a prevenção de acidentes e doenças ocupacionais, fortalecendo uma cultura de cuidado e valorização da vida dos trabalhadores. Dados da Auditoria Fiscal do Trabalho do Estado evidenciam a urgência do tema em Pernambuco.
Em 2024, foram registrados cerca de 16.500 acidentes de trabalho no estado, com 92 mortes. Outras estimativas apontam números próximos de 17 mil ocorrências no mesmo período, confirmando a magnitude do problema. Já em 2025, dados parciais indicam que, entre janeiro e julho, ocorreram 24 acidentes graves e 18 mortes.
“Esses números mostram que os acidentes de trabalho continuam sendo um importante problema de saúde pública, exigindo ações contínuas de prevenção e conscientização”, pontua Matheus Nascimento, técnico em Segurança do Trabalho do SESI-PE.
Entre os principais tipos de acidentes registrados no estado, Matheus elenca que estão cortes e lacerações causados por ferramentas e máquinas; quedas, tanto de altura quanto no mesmo nível; contusões e esmagamentos; além de lesões por esforço repetitivo (LER/DORT).
Também chamam atenção os acidentes de trajeto ocorridos no deslocamento entre casa e trabalho, que incluem colisões, quedas de moto, atropelamentos e acidentes com bicicleta, e representam parcela relevante dos casos.
A legislação brasileira também estabelece diretrizes claras para a proteção dos trabalhadores. O técnico em Segurança do Trabalho do SESI-PE explica que, conforme a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), ao identificar uma situação de risco, o trabalhador deve interromper a atividade em caso de perigo grave e iminente, afastar-se da área e comunicar imediatamente o responsável. A norma ainda garante o chamado “direito de recusa”, permitindo que o profissional não execute atividades que coloquem sua vida ou saúde em risco.
Outro ponto fundamental é o uso correto dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e a capacitação contínua. Matheus explica que essa combinação é decisiva para reduzir acidentes
“Quando os EPIs são utilizados corretamente e os trabalhadores recebem treinamentos constantes, conseguimos diminuir significativamente os riscos. Um simples uso de luvas pode evitar cortes graves, assim como o capacete pode prevenir lesões sérias em ambientes com risco de queda de objetos”, explica.
Além das obrigações legais, as empresas têm papel essencial na construção de uma cultura de segurança sólida. A promoção de treinamentos frequentes, Diálogos Diários de Segurança (DDS), campanhas internas e o incentivo à comunicação aberta sobre riscos são estratégias fundamentais.
“A segurança precisa ser vivida no dia a dia, não apenas imposta. Ações mais dinâmicas, como simulações, recursos digitais e atividades interativas, tornam o aprendizado mais eficaz e aumentam o engajamento dos colaboradores”, ressalta.
Com o avanço da tecnologia, da automação e da inteligência artificial, surgem benefícios, mas o futuro da segurança no trabalho também apresenta novos desafios, com riscos relacionados à perda de atenção e ao excesso de confiança em sistemas automatizados. “O grande desafio será equilibrar tecnologia e comportamento humano, garantindo que a percepção de risco continue sendo uma prioridade”, afirma.
Foto: divulgação





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