
A tradição da cantoria de viola nordestina foi elevada ao centro do debate acadêmico durante a defesa de doutorado do poeta e escritor egipciense Antônio Marinho, que destacou o gênero como uma das mais ricas expressões do hibridismo da linguagem. A tese, apresentada no curso de Ciências da Linguagem, lança um olhar aprofundado sobre a fusão entre oralidade e escrita, tendo como fio condutor a arte da “peleja” e os trocadilhos do poeta Louro do Pajeú.
Orientado pelo professor doutor Benedito Gomes Bezerra, o estudo parte de uma premissa central: todo texto é, em essência, híbrido. Nesse contexto, a cantoria de viola surge como um exemplo emblemático dessa mistura, reunindo elementos da fala e da escrita em uma construção dinâmica e criativa. “O hibridismo na cantoria de viola não é só um traço. É o aspecto essencial, fundamental da sua natureza linguística e retórica”, afirma Antonio Marinho.
Ao longo da pesquisa, o autor analisa de forma minuciosa a obra de Louro do Pajeú, identificando como recursos como rima, métrica e improviso contribuem para a complexidade do gênero. Para o pesquisador, a cantoria não apenas reflete a mistura entre diferentes formas de linguagem, mas também potencializa novas possibilidades de expressão. “Todo texto é híbrido. E a cantoria de viola pode ser entendida como um protótipo dessa mistura entre oralidade e letramentos”, destaca.
A investigação também evidencia a capacidade da cantoria de negociar sentidos e se adaptar a diferentes contextos comunicativos, reforçando sua relevância cultural e linguística. Ao final, Marinho sintetiza sua análise com uma afirmação que ressalta a singularidade do objeto estudado: “Se a cantoria é o protótipo do hibridismo, o trocadilho de Louro do Pajeú se revelou como o protótipo do protótipo”.
A defesa da tese ocorreu na tarde da última sexta-feira (10), na Universidade Católica de Pernambuco, no Recife, e foi aprovada com louvor, consolidando o trabalho como uma importante contribuição para os estudos da linguagem e para a valorização da cultura nordestina.
Redação com informações e foto do blog Marcello Patriota





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