
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), iniciou uma ofensiva política para recompor a relação com o Progressistas (PP) e viabilizar uma estratégia mais robusta para sua tentativa de reeleição. O movimento inclui uma reunião considerada decisiva com lideranças da legenda, com foco na reaproximação do deputado federal Eduardo da Fonte, conhecido como Dudu da Fonte, e no fortalecimento do palanque eleitoral por meio do tempo de rádio e televisão.
O encontro ocorre um dia após uma reunião interna do PP e busca conter o desgaste recente entre o governo e o antigo aliado. Participam das tratativas os deputados Henrique Queiroz Filho, Adauto Santos e Cleiton Collins, que devem apresentar uma proposta de entendimento após o agravamento da crise política.

O estopim do conflito foi a demissão do então presidente da Ceasa, Bruno Rodrigues, decisão que gerou forte reação dentro do partido. “A governadora esticou a corda sem necessidade. Havíamos pedido um prazo de uma semana para resolver o impasse, mas ela preferiu ouvir Túlio Gadêlha e André Teixeira”, afirmou um deputado, atribuindo ao entorno da gestora a responsabilidade pelo agravamento da crise.
Apesar do desgaste, interlocutores do Palácio indicam que há interesse do governo em reconstruir a aliança. “Vamos ouvir a proposta. Nunca nos furtamos ao diálogo, mas era preciso pontuar as coisas”, disse uma fonte próxima à governadora.
A movimentação tem forte motivação eleitoral. A federação PP/União Brasil possui um dos maiores tempos de propaganda no guia eleitoral, o que a torna peça-chave nas articulações. Após a janela partidária, o PSB, liderado pelo prefeito do Recife, João Campos, ficou com 14 deputados, enquanto a federação reúne 106 parlamentares. Na prática, isso representa cerca de 2,6 inserções diárias para o PSB, contra aproximadamente 20 inserções da federação — uma vantagem significativa no campo da comunicação política.
Nos bastidores, o PP também cobra a recomposição de espaços perdidos na administração estadual, após deixar o comando de órgãos como o Lafepe, o Porto do Recife e a própria Ceasa. Ainda assim, o discurso público sinaliza que a questão central vai além de cargos. “Acordo só é bom quando todo mundo gosta. O que menos interessa hoje para a gente são cargos. O clima de confiança foi quebrado, e também não vamos baixar a cabeça para ninguém”, declarou um parlamentar, lembrando que a bancada apoiou projetos do governo na Assembleia Legislativa.
Caso não haja acordo, a federação já discute alternativas. Uma delas seria liberar a bancada, permitindo alinhamentos independentes. Nesse cenário, Dudu da Fonte poderia articular uma aproximação com o PL, ligado ao senador Flávio Bolsonaro, com possibilidade de composição majoritária envolvendo o ex-prefeito Anderson Ferreira.
Outra hipótese em debate é ainda mais drástica: não ceder o tempo de guia eleitoral para nenhuma candidatura ao governo, destinando-o apenas aos candidatos proporcionais — o que representaria um duro golpe para a estratégia de reeleição da governadora.
Nos bastidores, o gesto é interpretado como uma possível resposta política à condução das negociações. “Será que, como João Campos, ela está pensando que já ganhou a eleição?”, provocou um interlocutor. A expectativa, no entanto, é de que, diante de um eventual segundo turno, os grupos voltem à mesa de negociação em busca de um novo entendimento.
Redação com informações e fotos do blog Ricardo Antunes





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