Declarações de Marília Arraes reabrem mal-estar no PSB e provocam reação de aliados de Paulo Câmara

Pré-candidata ao Senado, Marília é entrevistada por Magno Martins

O clima de aparente trégua entre Marília Arraes (PDT) e o PSB volta a azedar após novas declarações da ex-deputada, pré-candidata ao Senado na chapa liderada pelo ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB). Em entrevista ao podcast do blogueiro Magno Martins, Marília fez duras críticas ao ex-governador Paulo Câmara, reacendendo uma polêmica dentro do campo político que tenta manter unidade em Pernambuco para 2026.

Durante a entrevista, Marília afirmou que “jamais apoiou” Paulo Câmara e atribuiu ao ex-governador a estagnação das obras da Transnordestina no Estado. “Eu não apoiei Paulo Câmara nem na primeira nem na segunda eleição e fui oposição durante todo o seu governo. Apoiei Eduardo Campos na sua primeira e na segunda eleição, e Pernambuco se desenvolveu bastante com os governos de Eduardo Campos. Paulo Câmara jamais teve o meu apoio, e foi aí que a gente viu a trava da obra da Transnordestina”, declarou.

A fala gerou reação imediata dentro do PSB. Em nota, o ex-deputado André Campos saiu em defesa de Paulo Câmara e rebateu as declarações de Marília, afirmando que não poderia permitir que se “sedimentasse a desinformação praticada pela candidata Marília Arraes”.

Segundo André, a Transnordestina é uma obra de responsabilidade federal, iniciada em 2006, com paralisações e entraves que não teriam relação direta com a gestão estadual. “A Transnordestina é uma obra federal, iniciada em 2006, e que teve seu andamento paralisado em 2013. Em 2016, o Tribunal de Contas da União suspendeu qualquer repasse de recursos públicos para a concessionária responsável pela construção. No governo Jair Bolsonaro (PL), o trecho pernambucano da obra foi excluído do projeto”, afirmou.

O ex-parlamentar também destacou a atuação de Paulo Câmara diante das dificuldades enfrentadas pela obra e criticou o posicionamento da ex-deputada em um momento de articulação política no campo governista. “Paulo Câmara (PSB) enfrentou essa e outras retaliações políticas do então Governo Federal, com transparência e responsabilidade, características que o fizeram ser convidado pelo presidente Lula (PT) para presidir o Banco do Nordeste. Lamento que Marília cometa tamanho equívoco em um momento que deveria buscar a união dos pernambucanos para reeleger o presidente Lula”, completou.

As declarações de Marília reacendem ruídos dentro da aliança política que busca se consolidar em Pernambuco, especialmente diante da possibilidade de a ex-deputada integrar a chapa majoritária ao lado de João Campos. O episódio reforça resistências internas no PSB e volta a colocar em debate a relação da pedetista com setores da legenda, em mais um capítulo de tensão no tabuleiro político estadual.

Redação com informações do blog Ricardo Antunes

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