Prefeito de São José do Egito acata clima político e cancela show de Zezé Di Camargo; medida levanta críticas e debate sobre uso de poder público para gerir cultura

A decisão do prefeito de São José do Egito (PE), Fredson Brito, de cancelar o show do cantor Zezé Di Camargo na tradicional Festa de Reis de 2026 reacende um debate sensível sobre os limites entre gestão pública, cultura e polarização política. 

O gestor anunciou a rescisão do contrato de R$ 500 mil — valor pago com recursos federais — alegando que a cidade não poderia ser “palco de polêmicas” decorrentes de questões individuais do artista relacionadas à sua postura sobre o SBT. 

A polêmica em questão começou após Zezé Di Camargo pedir ao SBT que cancelasse seu especial de Natal, em que criticou a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras autoridades no lançamento do novo canal de notícias da emissora, o SBT News. 

Embora a postura do prefeito seja apresentada em nota como um esforço para preservar a imagem e a “paz social” da cidade, a decisão tem gerado críticas quanto ao uso do poder público para premiar ou punir posicionamentos políticos individuais. É legítimo, dizem críticos, que um gestor zele pela imagem do município — mas o cancelamento de um evento cultural contratado legalmente por causa de divergências políticas de um artista abre precedente perigoso de interferência ideológica na cultura pública.

O caso levanta pelo menos três questões centrais:

1. Cultura pública vs. atuação política privada

A contratação de artistas para eventos municipais, especialmente com verba pública, está sujeita a regras legais e princípios da administração, como a impessoalidade. Decisões baseadas em posicionamento político individual de um artista podem violar esses princípios e criar insegurança jurídica para futuras contratações.

2. Liberdade de expressão em conflito com interesse público

A polêmica começou por causa de um posicionamento de Zezé Di Camargo, que se disse desconfortável com a presença de lideranças políticas no SBT e pediu o cancelamento do especial.  Independente do conteúdo político em si, a reação da prefeitura levanta o debate sobre até que ponto manifestações pessoais devem interferir em contratos públicos de cultura.

3. O uso de recursos públicos tem prioridade clara?

Com recursos federais envolvidos, críticos argumentam que houve falta de sensibilidade ao cancelar um evento cultural relevante sem considerar alternativas, como manter a programação ou negociar ajustes contratuais que não punam diretamente a população nem transformem o ambiente cultural em terreno de disputas políticas. 

Ao substituir o artista por uma banda local, alegando valorização da cultura regional, o prefeito tenta minimizar a polêmica, criando nova polêmica. Ainda assim, muitos observadores enxergam a medida menos como um fortalecimento cultural e mais como uma retirada estratégica diante de pressões políticas e de redes sociais — um recuo que, para parte da opinião pública, reforça a ideia de que eventos culturais podem ser usados como moeda de troca em disputas ideológicas.

Em tempo de polarização acentuada, a gestão pública de eventos culturais enfrenta um teste de equilíbrio: proteger a cidade de controvérsias não pode significar silenciar artistas ou impor vetos baseados em posicionamentos individuais que não têm relação direta com a administração municipal.

Redação com informações da Folha de Pernambuco e dó blog Marcello Patriota/Foto: Blog Nill Jr.

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