Judicialização paralisa MDB em Pernambuco e empurra deputados para fora da sigla

A prolongada disputa interna e a judicialização do comando estadual do MDB em Pernambuco colocaram o partido em uma situação de instabilidade jurídica que ameaça diretamente a permanência de seus principais quadros com mandato. Pelo cenário atual, apenas o senador Fernando Dueire consegue atravessar o impasse sem riscos eleitorais, enquanto a deputada federal Iza Arruda e o deputado estadual Jarbas Filho já avaliam seriamente a troca de legenda para disputar a reeleição em 2026.

Consulta realizada ao sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que o Diretório Estadual do MDB, eleito na convenção de 24 de maio, aparece como “inativo”, o que, na prática, inviabiliza a formação de chapas proporcionais dentro dos prazos exigidos pela legislação eleitoral. A indefinição afastou potenciais candidatos que cogitavam se filiar ao partido, temendo que a disputa judicial não seja resolvida a tempo.

Mesmo após uma tentativa de articulação conduzida pelo ex-deputado federal Raul Henry, que levou possíveis candidatos a Brasília para reunião com o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, a situação jurídica permaneceu inalterada. O impasse afeta diretamente candidaturas proporcionais, mas não atinge cargos majoritários, o que permite a Fernando Dueire planejar sua tentativa de reeleição ao Senado sem a necessidade de composição de chapa.

Nos bastidores, a movimentação é intensa. Jarbas Filho avalia migrar para o PSD, legenda da governadora Raquel Lyra, enquanto Iza Arruda mantém conversas com diferentes partidos, entre eles o PSB, do prefeito do Recife, João Campos. Outro nome envolvido é o do deputado estadual Waldemar Borges, atualmente filiado ao MDB por força de um acordo político na Assembleia Legislativa, mas com retorno ao PSB praticamente dado como certo na próxima janela partidária.

A origem da crise está na divisão interna do MDB pernambucano. Um grupo, liderado por Raul Henry, alinhou-se ao projeto eleitoral de João Campos, enquanto outro, capitaneado por Fernando Dueire e Jarbas Filho, passou a integrar a base da governadora Raquel Lyra. Embora a chapa de Henry tenha vencido a convenção estadual, diretórios municipais contestaram o resultado na Justiça, alegando irregularidades. Desde então, decisões provisórias se alternam, sem solução definitiva, alimentando a percepção de que o conflito se arrastará pelo menos até abril.

Enquanto a disputa segue nos tribunais, o MDB vê sua influência eleitoral minguar, pressionado pela saída iminente de quadros estratégicos e pela perda de confiança de possíveis candidatos.

Redação com informações e fotos da coluna Giro Político/Blogdellas

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