Oposição no Congresso usa caso Banco Master para impulsionar pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes

Suspeitas de corrupção envolvendo Alexandre de Moraes e o Banco Master levam oposição a articular pedidos de impeachment e CPI no Congresso (Foto: Jane de Araújo/Agência Senado)

Parlamentares das bancadas de oposição na Câmara dos Deputados e no Senado Federal iniciaram uma ofensiva política em torno das denúncias que envolvem o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e sua suposta atuação em favor dos interesses do Banco Master junto ao Banco Central (BC). Diferentemente dos pedidos anteriores, embasados em decisões judiciais, as novas representações buscam afastar o magistrado por suspeita de crimes, como a prática de advocacia administrativa, crime previsto no Código Penal Brasileiro por usar cargo público para benefício privado. 

O primeiro pedido foi protocolado no dia 23 de dezembro pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que também apresentou uma petição à Procuradoria-Geral da República (PGR), sob o comando de Paulo Gonet. Segundo a parlamentar, se comprovada a atuação de Moraes a favor do banco, ele pode ter cometido o crime de advocacia administrativa. 

Na Câmara dos Deputados, líderes oposicionistas afirmaram que aproveitarão o recesso parlamentar para ampliar o apoio à representação, inclusive por meio de coletas de assinaturas. O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) declarou que a estratégia será buscar o maior número possível de apoiadores entre deputados e senadores, além de avaliar um abaixo-assinado com a sociedade civil. 

Já no Senado, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) anunciou que, após o recesso, pretende iniciar a coleta de assinaturas para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigue a relação entre o ministro e o banco, afirmando que existe a necessidade de apurar “notícias sobre um contrato fora do padrão da advocacia” e uma possível atuação direta do magistrado junto a órgãos do governo. 

Deputados como Kim Kataguiri (União-SP) e Sargento Fahur (PSD-PR) elevaram o tom, defendendo a necessidade de pressão direta contra parlamentares indecisos e, em caso de confirmação das suspeitas, o afastamento imediato de Moraes. 

Viviane Barci e Alexandre de Moraes – Foto: Gazeta do Povo

O caso Banco Master e o contrato milionário

No centro da controvérsia está um contrato estimado em R$ 129 milhões firmado em janeiro de 2024 entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes. O acordo previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões até 2027, e passou a ser utilizado pelos parlamentares como possível indício de conflito de interesses. 

As suspeitas cresceram após divulgação de informações de que Moraes teria procurado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em diversas ocasiões para tratar de temas ligados ao banco, incluindo uma tentativa de operações de compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB) quando a instituição enfrentava dificuldades. 

O próprio ministro negou que tenha tratado sobre o banco com Galípolo e afirmou que as reuniões tinham como foco apenas a Lei Magnitsky, que impõe sanções financeiras a estrangeiros acusados de corrupção ou violações de direitos humanos — sanção que havia sido aplicada a ele e foi revogada em 12 de dezembro de 2025. 

Repercussão política e institucional

A divulgação das denúncias reacendeu debates sobre a legitimidade de pedidos de impeachment contra membros do STF. Atualmente, o Senado acumula mais de 80 representações contra ministros da Corte, e Moraes é o alvo com maior número de pedidos (43), muitos deles relacionados a decisões anteriores sobre inquéritos de atos antidemocráticos e plataformas digitais, e que permanecem parados sem despacho ou decisão formal de arquivamento na Presidência do Senado. 

Para opositores, o caso envolvendo o Banco Master representa um avanço qualitativo nas denúncias, porque, além de críticas judiciais, incluiria fatos concretos e indícios de crime de responsabilidade. Eles apostam que a denúncia ocupará o centro do debate institucional em 2026, aumentando a pressão sobre o STF e o Congresso caso os fatos não sejam esclarecidos. 

Redação com informações da Gazeta do Povo

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