Europa aprova acordo Mercosul–UE mesmo com fortes advertências sobre riscos à agricultura, meio ambiente e padrões sociais

Bandeiras do Mercosul e da União Europeia  • Reprodução

Apesar do sinal verde provisório dado pelo Conselho da União Europeia ao controverso acordo de livre comércio com o Mercosul, a aprovação foi marcada por profunda oposição interna e alertas sobre impactos negativos concretos deixados de lado por Bruxelas. 

Paris e Dublin em dissenso claro

A França, pressionada pela intensa mobilização de agricultores que bloquearam estradas e pontos turísticos em protesto contra o pacto, permaneceu enfaticamente contrária ao acordo. O presidente Emmanuel Macron reiterou que seu país votaria contra, citando a necessidade de preservar os interesses dos produtores locais mesmo após compromissos oferecidos pela Comissão Europeia. 

A Irlanda, por sua vez, também anunciou sua objeção formal, refletindo a insatisfação dos setores agrícolas que temem a entrada massiva de produtos sul-americanos com padrões sanitários e ambientais considerados inferiores aos exigidos no mercado europeu. 

Oposição ampla vai muito além de alguns Estados-membros

Grupos de agricultores e sindicatos fizeram soar o alerta de que o tratado “trai agricultores europeus, trabalhadores, consumidores e o meio ambiente”, por permitir a entrada de produtos com custos de produção mais baixos e normas menos rigorosas sobre uso de pesticidas, padrões de trabalho e bem-estar animal. Esses riscos, segundo associações agrárias, podem resultar em queda de preços no mercado interno, perda de competitividade e fechamento de pequenas propriedades. 

Organizações ambientais e de direitos humanos também criticam o texto por não conter mecanismos vinculativos eficazes para impedir a destruição de florestas tropicais, apesar de pretensões de combater o desmatamento. Estudos e coalizões de ONGs alertam que a expansão de commodities como soja e carne bovina — historicamente associadas à perda de cobertura florestal no Brasil — pode ser intensificada pelo aumento de demanda gerado pelo acordo. 

Salvaguardas insuficientes e falta de transparência

Embora a Comissão Europeia tenha oferecido ferramentas de salvaguarda para proteger setores sensíveis, críticos afirmam que os gatilhos são difíceis de ativar e carecem de efetividade real, deixando as economias locais vulneráveis a choques de importações. 

Além disso, movimentos sociais e entidades civis apontam que as negociações de mais de 25 anos foram marcadas por falta de transparência e participação pública, alimentando desconfiança e representando, para muitos, um déficit democrático no processo de formação do acordo. 

Riscos políticos e econômicos continuam

O texto final ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu, cenário no qual as resistências internas podem permanecer fortes. Pesquisas recentes sobre o impacto no setor agrícola europeu indicam que a liberalização total do comércio poderá erosionar a competitividade de produtores que operam sob padrões mais rigorosos do que os de seus parceiros sul-americanos, com efeitos negativos sobre rendas rurais e soberania alimentar.  

Redação com informações da CNN Brasil

Deixe um comentário

MAIS NOTÍCIAS

Descubra mais sobre BLOG TV UMBURANAS

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue lendo