“Rolou um clima” – Convite de Trump coloca Lula em dilema diplomático sobre Gaza

Trump quer Lula no seu grupo de paz. O Brasil vê com desconfiança oferta do norte-americano – Ricardo Stuckert/PR

Um convite feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu uma delicada encruzilhada diplomática para o governo brasileiro. A proposta para que o Brasil integre um chamado “Conselho da Paz”, voltado à reestruturação da Faixa de Gaza, expõe divergências históricas da política externa brasileira e cria um impasse estratégico para o Planalto.

Segundo análise do colunista Romualdo de Souza, do Portal UOL, Trump conhece bem a posição do presidente brasileiro em relação ao conflito no Oriente Médio. Lula tem adotado discursos críticos ao governo de Israel e, em diversas ocasiões, demonstrou maior empatia à causa palestina — postura que, para aliados de Israel, acaba sendo interpretada como complacência em relação às ações do grupo Hamas, classificado como organização terrorista por Estados Unidos, União Europeia e outros países.

A movimentação de Trump não é vista como casual. Ao convidar Lula para um conselho que pretende atuar paralelamente às estruturas multilaterais tradicionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente norte-americano pressiona o Brasil a assumir uma posição clara: ou aceita integrar um novo arranjo liderado por Washington ou mantém sua defesa histórica do fortalecimento do sistema multilateral.

No Palácio do Planalto, a avaliação é cautelosa. De acordo com o colunista, a tendência do governo brasileiro é sustentar que a criação do “Conselho da Paz” pode enfraquecer a ONU, argumento semelhante ao utilizado anteriormente pelo ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair em críticas a iniciativas paralelas à organização internacional. O Brasil também tem intensificado consultas diplomáticas com outros países, especialmente os integrantes do Brics, para avaliar os impactos políticos e estratégicos de uma eventual adesão ou recusa ao convite.

A situação coloca Lula em uma “sinuca de bico”, expressão usada por Romualdo de Souza para ilustrar o desafio. Aceitar o convite pode gerar atritos com aliados tradicionais do Sul Global e com países que defendem a centralidade da ONU. Recusar, por outro lado, pode tensionar ainda mais a relação com os Estados Unidos, em um cenário internacional já marcado por conflitos e instabilidade.

Enquanto o governo avalia os próximos passos, o episódio evidencia como a política externa brasileira segue sendo testada em temas sensíveis do tabuleiro geopolítico global, onde cada movimento pode definir não apenas a jogada imediata, mas os desdobramentos futuros.

Redação com informações do colunista Romoaldo Souza, do UOL

Deixe um comentário

MAIS NOTÍCIAS

Descubra mais sobre BLOG TV UMBURANAS

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue lendo