
A Câmara Municipal do Recife deliberou nesta terça-feira (3) pela rejeição da abertura de um processo de impeachment contra o prefeito João Campos (PSB), em sessão marcada por clima de tensão e protestos. O pedido havia sido protocolado em dezembro de 2025 pelo vereador Eduardo Moura (Novo), motivado por polêmica envolvendo a alteração do resultado de um concurso público para procurador municipal.
Para que o processo fosse admitido, eram necessários pelo menos 19 votos favoráveis entre os 37 vereadores. A votação terminou com 9 votos a favor, 25 contra e 1 abstenção, de acordo com apuração de veículos de imprensa.
A sessão ocorreu sob forte presença de público nas galerias e protestos tanto a favor quanto contra o impedimento do prefeito, com interrupções e bate-boca entre parlamentares durante os debates.
Origem do pedido de impeachment
O pedido de impeachment foi fundamentado na alteração do resultado do concurso público da Procuradoria Geral do Município do Recife, realizado em 2022. Originalmente, o advogado Marko Venício dos Santos Batista era o único aprovado para a vaga reservada a Pessoas com Deficiência (PCD); no entanto, a prefeitura chegou a nomear Lucas Vieira Silva, que havia ficado em 63º lugar na ampla concorrência e apresentou um laudo de Transtorno do Espectro Autista (TEA) apenas em 2025, quase três anos após o certame.
Lucas é filho de uma procuradora do Ministério Público de Contas de Pernambuco e de um juiz do Tribunal de Justiça de Pernambuco, fato que gerou repercussão e críticas públicas. Em meio à pressão, a gestão de João Campos revogou a nomeação e empossou o candidato que havia sido aprovado inicialmente.
O vereador Eduardo Moura alegou que a administração cometeu crime de responsabilidade e atos de improbidade ao permitir a modificação do resultado e que o episódio feriu normas legais e o princípio de isonomia.
Debate no plenário
Durante a sessão, o autor do pedido, Eduardo Moura, discursou sob protestos, classificando a mudança no concurso como “furada de fila” capaz de prejudicar um candidato com deficiência. Já o líder do governo na Câmara, vereador Samuel Salazar (MDB), argumentou que o prefeito apenas assinou uma portaria que já havia sido preparada pela equipe técnica, defendendo que não houve irregularidade intencional.
Desfecho e consequências
Com a rejeição da admissibilidade, o pedido de impeachment foi arquivado ainda na fase inicial e não será instaurada comissão processante nem ocorrerá afastamento do prefeito João Campos para investigação legislativa.
Redação com informações do Portal G1





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