
O desfile da Acadêmicos de Niterói, primeira escola a se apresentar na noite deste domingo (16) no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, foi precedido por uma série de questionamentos jurídicos e manifestações de órgãos públicos. O enredo, que homenageia a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), motivou ao menos dez iniciativas judiciais e representações que tentaram impedir a apresentação ou exigir a devolução de recursos públicos repassados à agremiação.
As medidas tramitaram em diferentes frentes, incluindo representações no Ministério Público, no Tribunal de Contas da União (TCU), na Justiça comum e na Justiça Eleitoral. De modo geral, os autores das ações sustentaram que o conteúdo do samba-enredo e elementos previstos para o desfile poderiam configurar propaganda eleitoral antecipada, já que o presidente anunciou pré-candidatura à reeleição.
A legislação eleitoral estabelece que a propaganda de candidatos só é permitida a partir de 16 de agosto do ano eleitoral, conforme dispõe a Lei nº 9.504/1997 (Lei das Eleições).
Entre os argumentos apresentados nas ações estão a citação do número do partido e a utilização de um jingle de campanha no refrão do samba. Também houve pedidos para suspender o repasse de verbas públicas à escola ou determinar a devolução dos valores já recebidos. O incentivo mais contestado foi o da Embratur, que destinou R$ 1 milhão a cada escola de samba.
Outras iniciativas buscaram impedir a presença do presidente na Marquês de Sapucaí ou solicitar que a escola evitasse ataques ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O Tribunal de Contas da União também foi acionado para apurar eventual uso indevido da máquina pública na organização do desfile.
Decisão do TSE
O caso chegou ao plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que analisou representações apresentadas pelos partidos Novo e Missão. Na última quinta-feira, por unanimidade (7 votos a 0), o tribunal negou a liminar que pedia a proibição do desfile.
A ministra relatora, Stela Aranha, argumentou que uma intervenção naquele momento poderia configurar censura prévia. Ainda assim, o processo segue em tramitação, e ministros ressaltaram que a decisão não representa autorização irrestrita para eventual prática de ilícito eleitoral.
A presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, afirmou em seu voto que há risco concreto de eventual infração eleitoral, hipótese em que o tribunal poderá atuar e aplicar as sanções previstas em lei.
Após o alerta da Corte, o PT orientou a escola, foliões e integrantes do partido a evitarem condutas que possam ser interpretadas como propaganda eleitoral antecipada.
Posição do governo e da escola
O Governo Federal negou que o desfile configure propaganda eleitoral antecipada e afirmou não existir decisão judicial que impeça sua realização. Segundo a gestão federal, o apoio financeiro às escolas de samba é prática recorrente, com participação da Embratur, do governo estadual e da Prefeitura do Rio de Janeiro. O governo também declarou que não participou da escolha do enredo e recomendou que autoridades evitem manifestações que possam caracterizar irregularidade eleitoral.
A Acadêmicos de Niterói não respondeu aos contatos da reportagem.
Nota da primeira-dama
Em nota, a primeira-dama Janja Lula da Silva informou que, apesar de haver segurança jurídica para desfilar, optou por não participar da apresentação para evitar possíveis questionamentos que pudessem atingir a escola ou o presidente. Segundo o comunicado, ela esteve na concentração para apoiar a agremiação e depois assistiu ao desfile ao lado do presidente.
A nota destacou que a homenagem representa uma celebração à cultura brasileira, ao presidente e ao espetáculo das escolas de samba do Rio de Janeiro.
Redação com informações do Portal G1





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