
No Dia Internacional da Mulher, celebrado neste 8 de março, um tema pouco discutido, mas relevante, ganha destaque: a relação entre os hormônios femininos e a saúde ocular. Ao longo da vida, fases como ciclo menstrual, gravidez, uso de anticoncepcionais e menopausa podem provocar alterações na visão, algumas temporárias, outras que exigem acompanhamento médico.
O filme lacrimal é uma camada fina e líquida, que cobre a córnea e a conjuntiva do olho e que está em contato direto com o ar. Seu bom funcionamento é fundamental, pois protege a córnea e a conjuntiva de agentes externos, promove uma hidratação dessas estruturas e interfere na qualidade visual. De acordo com a oftalmologista Marília Medeiros, do Instituto de Olhos do Recife (IOR), os hormônios femininos exercem influência direta sobre o filme lacrimal e o funcionamento da superfície ocular.
“Estrógeno e progesterona aumentam a produção e a qualidade do filme lacrimal. Por isso, quando há queda hormonal, como na menopausa, os sintomas de olho seco se tornam mais comuns”, explica a especialista.
Além deles, a testosterona, embora presente em menores quantidades nas mulheres, também desempenha papel importante na estabilidade da lágrima. “A testosterona também influencia esses sintomas. A redução hormonal pode comprometer as glândulas lacrimais e favorecer o ressecamento ocular”, acrescenta.
Gravidez e anticoncepcionais podem alterar a visão
Durante a gravidez, as mudanças hormonais podem impactar temporariamente a visão. Entre as alterações mais comuns estão a modificação da curvatura da córnea, mudança no grau, visão embaçada, dificuldade de foco e até dor de cabeça.
“É comum haver alteração da curvatura da córnea e, consequentemente, da refração. A paciente pode perceber flutuação visual e dificuldade para focar”, explica Dra. Marília.
O uso de anticoncepcionais hormonais também pode provocar efeitos semelhantes, pelos mesmos mecanismos hormonais observados na gestação. Já as alterações visuais relacionadas ao ciclo menstrual são consideradas raras.
A importância do acompanhamento oftalmológico
A recomendação de acompanhamento varia conforme a faixa etária:
• Dos 20 aos 39 anos: consulta a cada dois ou três anos
• Dos 40 aos 59 anos: a cada um ou dois anos
• A partir dos 60 anos: consultas anuais
No Dia da Mulher, a especialista reforça a importância do cuidado preventivo. “A saúde ocular também faz parte do autocuidado feminino. Manter consultas regulares permite diagnosticar precocemente alterações e garantir qualidade de vida em todas as fases da vida”, orienta.
Foto: divulgação





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