Eduardo da Fonte perde espaço nas articulações e fica fora das chapas majoritárias em Pernambuco

Eduardo da Fonte: Foto Jc/Blog Dellas

Conhecido nos bastidores políticos como um dos principais articuladores do Congresso Nacional, o deputado federal Eduardo da Fonte enfrenta um dos momentos mais delicados de sua trajetória recente. Após uma sequência de movimentos estratégicos que acabaram não se consolidando, o parlamentar perdeu espaço tanto no grupo da governadora Raquel Lyra quanto na articulação liderada pelo prefeito João Campos.

A crise teve início quando Eduardo da Fonte, até então aliado da governadora, buscou viabilizar seu nome para o Senado negociando diretamente com João Campos — principal adversário político de Raquel Lyra no Estado. A movimentação foi interpretada como um gesto de ruptura dentro da base governista.

A reação foi imediata. Conhecida por sua postura firme, Raquel Lyra promoveu mudanças em áreas estratégicas da administração estadual, retirando indicações ligadas ao deputado de órgãos relevantes como Ceasa, Lafepe e Porto do Recife. O episódio remete a uma máxima do ex-governador Roberto Magalhães, que dizia: “Ninguém governa governador”, ao destacar a centralização das decisões no Executivo estadual.

Sem espaço no grupo da governadora, Eduardo da Fonte ainda tentou garantir protagonismo na chapa de João Campos. No entanto, foi surpreendido com a decisão do prefeito de priorizar a ex-deputada Marília Arraes para a disputa ao Senado. A escolha foi considerada inesperada por aliados e adversários, encerrando, ao menos por ora, as possibilidades do parlamentar disputar um cargo majoritário em 2026.

Nos bastidores da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), o movimento gerou reações. “Quero ver onde Dudu vai parar depois dessa”, comentou um deputado governista, em tom de incerteza sobre o futuro político do líder progressista.

A situação se agrava com a perda de quadros importantes do Progressistas (PP). O deputado estadual Antonio Moraes deixou a sigla para se filiar ao PSD a convite da governadora, movimento seguido por Romero Sales Filho, que também optou pelo partido de Raquel Lyra. Há expectativa de novas desfiliações até o fim da janela partidária, o que pode comprometer o projeto do PP de formar a maior bancada da Alepe.

Enquanto isso, o PSD desponta como principal beneficiado das articulações recentes. A legenda, que ganhou força após a filiação da governadora em 2025, pode chegar a eleger até 11 deputados estaduais, segundo projeções de parlamentares experientes. O crescimento é impulsionado pela adesão de nomes com mandato e lideranças regionais, como a ex-prefeita Andrea Medeiros.

Diante desse novo cenário, Raquel Lyra também precisará rever sua estratégia para a composição da chapa majoritária. A governadora contava, até então, com a possibilidade de reunir em seu palanque Marília Arraes e o ministro Silvio Costa Filho, mas foi surpreendida pela reaproximação de ambos com João Campos.

A movimentação do prefeito é vista por aliados como uma jogada estratégica de alto nível, embora tenha provocado desconfortos internos, especialmente no PT. O cenário segue indefinido e reforça o clima de incerteza na política pernambucana, marcada por rearranjos rápidos e disputas intensas na corrida eleitoral que se desenha.

Redação com informações e foto do Blog Dellas

Deixe um comentário

MAIS NOTÍCIAS

Descubra mais sobre BLOG TV UMBURANAS

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue lendo