Freddy Simões: uma jornada musical entre raízes e inovação

O cantor Freddy Simões, aos 42 anos e com uma trajetória musical de 15 anos, tornou-se uma figura marcante na cena artística de Pernambuco. Depois de uma pequena pausa nos shows para se dedicar a atividades acadêmicas, ele volta aos palcos com força total a partir do próximo ano e com novidades. Originário de Itapetim, município que ele descreve como um oásis de talentos, Freddy abraça a liberdade criativa e o experimentalismo, buscando representar suas raízes, como evidenciado no EP “Amor e Forró” lançado em 2021.

A grande notícia para os fãs de Freddy Simões em 2024 é a promessa de um segundo volume do EP “Amor e Forró”. Além disso, o artista também prepara a retomada dos shows, revelando um projeto inédito de gravar um EP de axé, o que indica uma fase vibrante e inovadora em sua carreira musical rica em diversidade e que reflete as influências de sua família e suas experiências ao longo da vida.

Apesar do curto período sem fazer shows, Freddy seguiu gravando singles para as plataformas digitais, o que é uma maneira de continuar sempre vinculado à música. “Gravei várias coisas distintas, para experimentar mesmo! Destaco, por exemplo, a música “Grito no ar”, um reggae de um compositor itapetinense chamado Gilton Marcos (Gilton de Tota), que gravei em dueto com Rosana Sousa, também minha conterrânea. O curioso é que os instrumentais dessa faixa foram gravados separadamente, de lugares distintos, por músicos de Itapetim”, confidencia.

Iniciando sua carreira profissional em 2007, Freddy Simões lançou seu primeiro álbum, “Espelho da Alma”, em 2013. Este trabalho, que absorveu influências que vão de Djavan a músicos pernambucanos, recebeu elogios da crítica e do público. Destacam-se no álbum faixas como “Um Dia” e “Eurídice”, que demonstram a versatilidade e identidade musical do artista.

Ao longo dos anos, Freddy não hesitou em buscar parcerias musicais significativas. Destaque para sua apresentação ao lado de Jorge Vercillo em 2017, um momento mágico na vida do artista que, influenciado pelo cantor carioca, teve a oportunidade de dividir o palco do Teatro Pedra do Reino, em João Pessoa, com seu grande ídolo.

“Sempre fui fã de Vercillo e tenho nítida influência da sonoridade dele no meu trabalho, mas nunca tive coragem de dizer a ele que eu cantava. Uma pessoa do fã-clube dele em Recife divulgou essa informação, que culminou em um convite para cantar “Que nem maré” com ele em João Pessoa (PB). Eu gelei, suei, mas evidentemente aceitei o desafio. Fui para a capital paraibana na data do show, ensaiamos à tarde e fizemos o dueto à noite. Foi lindo e mágico cantar com um ídolo para um público de quase 3 mil pessoas. Isso repercutiu por semanas nas minhas redes sociais. Sou eternamente grato a Jorge Vercillo pelo carinho, confiança e espaço dado”, revela emocionado.

Em 2018, Freddy lançou mais um EP de inéditas, intitulado “Plural”, que também foi muito bem recebido pelo público e pela crítica, apesar de não ter tido tanta divulgação. “Não fiz turnê desse álbum, embora tenha cantado todo o repertório dele na terceira edição do show “Paire de deux”, com Nira Santos, em 2019”, afirma.

Ele também participou do Prêmio Acinpe, que aconteceu no Teatro de Santa Isabel. “Cantar nesse lugar emblemático da história e da cultura pernambucana foi uma das coisas mais gratificantes da minha carreira. No palco, interpretei “Espelho da alma”, do meu primeiro disco, e “Alívio”, minha canção favorita de Djavan”, relembra.

Em 2020 veio a pandemia. Freddy aproveitou o confinamento para pensar em outro trabalho e exercitar a verve criativa. Neste mesmo ano, lançou o single “Eu estou aqui”, uma composição dele em parceria com Diogo Santana.

Também lançou o single “Veneno”, regravação do repertório de Marina Lima. Outro single que lhe deu muita satisfação de gravar foi a canção “Convívio”, composição de um carioca chamado Paulo Nazareth, e que, segundo o artista, é uma das coisas mais singelas que ele já ouviu. Além disso, Freddy já gravou singles de carnaval, como “Nas ondas do desejo” (Marrom Brasileiro), “Recifolia” (Almir Rouche) e “Bota pra ferver” (Durval Lelys).

A influência de sua família é evidente em sua carreira artística. Criado em um ambiente onde a mãe era uma exímia costureira e os irmãos artesãos, professores e músicos, a casa de Freddy sempre foi imersa em uma atmosfera cultural. Desde os primeiros dias, acordando ao som da máquina de costura e do rádio FM tocando na época “A hora do Roberto Carlos”, até explorar os tesouros musicais dos discos de vinil de seus irmãos que traziam verdadeiros tesouros como Caetano, Fagner, Alceu Valença, Gal Costa, Maria Bethânia, Lulu Santos, Simone, Zizi Possi, Legião Urbana, Elton John, Michael Jackson e tantos outros.

Quando ia dormir na casa de sua avó, Freddy costumava ouvir músicas de Luiz Gonzaga, Benito di Paula, Noite Ilustrada, Clara Nunes e outros clássicos. Foi assim que ele  começou a absorver uma variedade de estilos que moldaram sua identidade musical única. Enquanto os shows não são retomados, o público pode conhecer seu trabalho musical pelas plataformas de streaming. Lá , ele possui 1 álbum, 5 EPs e quase 20 singles lançados entre 2013 e 2023.

Raízes e Influências – A terra natal de Freddy Simões, Itapetim, desempenha um papel crucial em sua música. Ele destaca a riqueza de talentos na cidade, mas também ressalta a necessidade de maior valorização e reconhecimento para os artistas locais. De acordo com ele, não há uma política municipal de fato eficaz de valorização desse grupo, que contemple incentivo financeiro, espaços de divulgação e atuação, bem como seleção para festas públicas. Ele aponta para a importância da mídia, especialmente a rádio comunitária, em promover e valorizar os talentos da região.

“Outro dia, eu estava em Itapetim fazendo um som com amigos e me apresentaram uma jovem chamada Vitória. Eu fiquei literalmente chocado com o talento dessa menina! Que voz brilhante! Que sensibilidade! Que desenvoltura ao violão! Em rápida conversa que tivemos, ela me disse que nunca recebia convites para cantar e, quando acontecia de ser convidada, era sempre sem cachê, só pela apresentação. As pessoas (incluo os donos de estabelecimentos) precisam entender que o artista também tem contas a pagar e que arte deve ser remunerada. Lá, existem muitas outras pessoas talentosas que levam o nome de Itapetim para os quatro cantos do Estado ou do País e sequer são lembrados na própria terra. Isso precisa mudar!”, reclama.

A carreira de Freddy Simões é uma tapeçaria musical que incorpora influências diversas, ressoando desde os clássicos brasileiros até a contemporaneidade. Atualmente, ele mora no Recife e concilia suas atividades na música com a carreira de administrador na Chesf e, ainda, como professor de Língua Portuguesa do Estado de Pernambuco. No entanto, seu comprometimento com suas raízes, influências familiares e sua disposição para inovar prometem continuar encantando audiências, enquanto o público aguarda ansiosamente as novidades que ele trará em 2024.

Redação do Blog TV Umburanas/Fotos e vídeos arquivos pessoais



3 respostas a “Freddy Simões: uma jornada musical entre raízes e inovação”

  1. É uma honra pra mim ter conhecido Freddy e fazer parte de alguns desses momentos narrados na matéria. Eu sempre digo que Fredynho foi um dos melhores presentes que o amor por Jorge Vervillo já me deu. Ele é uma amigo tão querido e um irmão que a música me deu.
    Que matéria linda e tão completa!!! Parabéns.

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  2. Adorei a matéria. Freddy é mesmo assim: lindo e único. Sem falar na extrema capacidade de memorizar as músicas e histórias de compositores e intérpretes.

    Abraços que são dois:
    Ricarte -que conheço desde criança
    Freddy- que é meu irmão e o xodó da nossa família.

    Linda Simões

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  3. Freddy eh um cara sensacional!!!!
    O talento dele vai além da música, sem falar na pessoa incrível que ele é.
    Beijos mil, Freddy.
    Nai.

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