
Entre brasileiros que ganham até um salário mínimo, a falta de informação sobre reciclagem pesa mais do que a ausência de coleta seletiva na hora de separar o lixo. É o que mostra a pesquisa “Hábitos Sustentáveis & Percepções sobre o Plástico”, realizada pela Nexus encomendada pelo Sindiplast (Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado de São Paulo), que ouviu 2.009 brasileiros em todas as unidades da federação.
Segundo o levantamento, 31% dos entrevistados dessa faixa de renda apontam o desconhecimento sobre reciclagem e coleta seletiva como a maior dificuldade para separar embalagens plásticas. Já 28% afirmam que o principal problema é não haver coleta seletiva na rua, no bairro ou na cidade onde vivem.
Na média geral da população brasileira, no entanto, o cenário é diferente. Considerando todas as faixas de renda, a falta de coleta seletiva aparece como o principal gargalo, citada por 35% dos entrevistados. A falta de informação vem em seguida, mencionada por 29%.
População de baixa renda mostra engajamento
Apesar das dificuldades relacionadas à informação e à infraestrutura, a pesquisa indica que a população de menor renda demonstra engajamento com práticas sustentáveis no dia a dia.
Entre os brasileiros que ganham até um salário mínimo, 76% afirmam que eles ou alguém da casa costuma separar materiais para reciclagem.
Os hábitos mais comuns ligados à redução de resíduos também aparecem com frequência neste grupo. Segundo o levantamento:
- 44% dizem que sempre evitam desperdício e geração de lixo, enquanto 42% afirmam fazer isso na maioria das vezes;
- 31% afirmam que sempre reutilizam ou reaproveitam embalagens de produtos;
- 36% dizem que sempre separam o lixo para reciclagem, e outros 36% fazem isso na maioria das vezes.
A prática menos comum nesse grupo é a escolha de produtos com embalagens recicladas: 21% dizem fazer isso com frequência , enquanto 20% afirmam que nunca adotam esse critério na hora da compra.
“Os dados mostram que existe disposição da população para reciclar, mas muitas vezes falta informação clara sobre como separar e destinar corretamente os resíduos. Ampliar iniciativas de conscientização ambiental e orientação prática é fundamental para transformar essa intenção em participação efetiva na cadeia da reciclagem”, afirma Paulo Teixeira, diretor-superintendente do Sindiplast.
Preocupação ambiental é mais local
A pesquisa também mostra que as preocupações ambientais entre os brasileiros de menor renda estão mais ligadas a problemas visíveis no cotidiano.
Enquanto mudanças climáticas e aquecimento global preocupam 32% da população brasileira em geral, entre os entrevistados que ganham até um salário mínimo esse índice cai para 16%.
Para este grupos, as principais preocupações ambientais são:
- Desmatamento (40%)
- Poluição do ar (30%)
- Poluição das águas (26%)
- Alagamentos e enchentes (24%)
- Destinação inadequada do lixo (23%)
Importância do plástico
O levantamento também investigou a percepção sobre o uso do plástico no cotidiano.
Entre os entrevistados de menor renda, 47% consideram o material importante ou muito importante em suas rotinas, sendo que 18% o classificam como muito importante e 29% como importante.
Além disso, 64% reconhecem que materiais plásticos ajudam a salvar vidas, como no caso de itens médicos e cirúrgicos descartáveis.





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