EUA colocam PCC e CV na lista do terror e ampliam desgaste internacional de Lula

Donald Trump – Foto: Alex Brandon-Pool/Getty Images

O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta quinta-feira (28), que irá classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A medida, adotada pela gestão do presidente Donald Trump, representa um endurecimento na política de combate ao narcotráfico internacional e amplia a pressão sobre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo o Departamento de Estado norte-americano, as duas organizações criminosas figuram entre “as mais violentas do Brasil” e possuem atuação que ultrapassa as fronteiras nacionais, afetando diretamente interesses e a segurança dos Estados Unidos.

“O governo Trump continuará a usar todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação e nossos interesses de segurança nacional, mantendo as drogas ilícitas longe de nossas ruas e interrompendo o fluxo de receita que financia narcoterroristas violentos”, afirmou a pasta em comunicado oficial.

Marco Rubio – Foto Getty Imagens

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, reforçou a posição da Casa Branca e declarou que PCC e CV são as organizações criminosas “mais violentas” do Brasil, destacando que a influência dos grupos se espalha por toda a América Latina.

A decisão será oficializada no próximo dia 5 de junho e ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Brasília e Washington sobre o tratamento dado às facções criminosas brasileiras.

Flávio Bolsonaro e Trump – Foto: divulgação redes sociais

Flávio Bolsonaro fez o pedido a Trump

O anúncio acontece apenas um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) revelar que pediu pessoalmente ao presidente Donald Trump que enquadrasse as facções brasileiras como grupos terroristas. O encontro ocorreu no Salão Oval da Casa Branca.

“Enquanto o Lula vai de joelhos, rastejando para implorar ao presidente americano Trump que não declare organizações criminosas como CV e PCC como terroristas, eu faço o contrário”, declarou Flávio.

Segundo o parlamentar, Trump não respondeu imediatamente ao pedido, mas afirmou que avaliaria a solicitação.

Trump e Lula na Casa Branca – Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

Lula tentou evitar classificação

Nos bastidores diplomáticos, o governo Lula vinha demonstrando preocupação com a possibilidade de os Estados Unidos classificarem facções brasileiras como terroristas. Integrantes do Palácio do Planalto avaliavam que a medida poderia abrir precedentes para futuras ações internacionais em território brasileiro.

Durante encontro com Trump na Casa Branca, realizado no início de maio, Lula apresentou propostas de cooperação bilateral no combate ao crime organizado e defendeu uma atuação conjunta entre os países.

“Criamos uma base na cidade de Manaus com a participação de representantes das polícias de países da América do Sul para combater o crime organizado, o tráfico de armas e drogas na fronteira brasileira. Se os Estados Unidos quiserem participar conosco, estarão convidados”, afirmou Lula após a reunião.

Entre as iniciativas citadas pelo governo brasileiro está o Centro de Cooperação Policial Internacional (CCPI), conhecido como “Polícia da Amazônia”, sediado em Manaus. O projeto reúne forças policiais de países amazônicos e representantes da Interpol para atuar de forma integrada contra tráfico de drogas, armas e crimes transnacionais.

Lula também mencionou o chamado Consenso de Brasília, criado em 2023 para ampliar a cooperação entre países sul-americanos no enfrentamento ao crime organizado, especialmente dentro do sistema penitenciário.

Outra proposta apresentada pelo governo federal foi o plano “Brasil contra o crime organizado”, baseado em quatro pilares: combate financeiro às facções, reforço da segurança em presídios, aumento da resolução de homicídios e repressão ao tráfico de armas.

Apesar das divergências sobre o enquadramento das facções, Brasil e Estados Unidos mantêm acordos de cooperação em segurança pública e inteligência. Segundo a Polícia Federal, centenas de armas vindas dos EUA são apreendidas mensalmente tentando entrar ilegalmente no Brasil, além do compartilhamento de dados sobre rotas do tráfico internacional e organizações criminosas que atuam nas Américas.

Redação com informações e fotos do Portal Metrópoles

Deixe um comentário

MAIS NOTÍCIAS

Descubra mais sobre BLOG TV UMBURANAS

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue lendo