Vereador do Recife registra ocorrência contra prefeito de São José do Belmonte, por suposta ameaça

Foto: reprodução redes sociais

A divulgação de imagens durante a 32ª Cavalgada à Pedra do Reino, em São José do Belmonte, no Sertão de Pernambuco, transformou um embate político em caso de polícia e pode resultar em uma disputa judicial. O vereador do Recife Gilson Machado Filho (Podemos) afirmou ter sido ameaçado pelo prefeito do município, Vinícius Marques(PSB), irmão do prefeito do Recife, Vitor Marques(PCdoB).

Nas imagens divulgadas pelo parlamentar nas redes sociais, o gestor aparece montado a cavalo durante o tradicional evento da cidade e se dirige diretamente ao vereador. O vídeo foi publicado com a legenda: “Se liga, que aqui não é Recife não, visse. Tu se liga”. Para Gilson Machado Filho, a abordagem teve caráter intimidatório e motivou o registro de um boletim de ocorrência.

Ao comentar o episódio, o vereador afirmou que pretende buscar medidas judiciais e associou o caso a denúncias que teria recebido de moradores da cidade. Segundo ele, pessoas identificadas com a direita teriam relatado perseguições políticas por parte da gestão municipal, incluindo supostas pressões relacionadas ao uso de adesivos da governadora Raquel Lyra em veículos particulares.

A tensão política já vinha se intensificando nos dias anteriores. No sábado, véspera da cavalgada, Gilson Machado Filho, que é pré-candidato a deputado estadual pelo Podemos, havia feito críticas ao grupo político liderado pelo prefeito do Recife, questionando promessas de desenvolvimento para o município e lembrando que o PSB comandou Pernambuco por 16 anos.

Diante da repercussão, Vinícius Marques divulgou uma nota de esclarecimento negando qualquer ameaça. Segundo o prefeito, sua fala teve o objetivo de aconselhar o vereador sobre os riscos de provocações políticas em eventos de grande porte.

“O que procurei dizer foi algo simples: grandes eventos populares reúnem milhares de pessoas, muitas delas movidas por fortes paixões políticas, culturais e emocionais. Em ambientes assim, provocações desnecessárias podem gerar reações de terceiros. Meu comentário foi um conselho de prudência, não uma ameaça”, declarou o gestor.

O prefeito também sustentou que o trecho divulgado nas redes sociais foi retirado de contexto e utilizado para construir uma narrativa diferente daquela que teria ocorrido durante o encontro.

A repercussão ultrapassou os envolvidos diretamente no episódio. Em nota, o diretório estadual do Podemos repudiou a situação e classificou o caso como uma demonstração de práticas políticas marcadas pela intolerância e pelo coronelismo.

O ex-ministro do Turismo Gilson Machado Neto, pai do vereador e pré-candidato a deputado federal, também saiu em defesa do filho. “Eu fui ministro do Estado, do Turismo e Cultura. Eu recebi todos no meu gabinete, de todas as etnias políticas. Simplesmente lamentável. Mas a gente vai buscar os meios legais para coibir isso daí, para que ninguém mais sofra esse tipo de coisa. Esse tipo de coronelismo tem que ser varrido da nossa história”, afirmou.

Com o registro da ocorrência policial e a intenção declarada de judicializar o caso, o episódio ganha novos capítulos e amplia a temperatura da disputa política em Pernambuco, especialmente em um momento de articulações e movimentações pré-eleitorais no Estado.

Confira abaixo a nota do Podemos:

Redação com informações do Blog de Jamildo/ Fotos e vídeos reprodução

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