Governo Lula envia André Janones e Jandira Feghali em comitiva aos EUA para discutir tarifas e classificação de facções criminosas

Foto: Maiara Folly/Divulgação

Uma comitiva de deputados alinhados ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está em Washington, nos Estados Unidos, para uma série de reuniões políticas e institucionais que envolvem desde questões comerciais até temas relacionados à segurança pública e à cooperação internacional.

Entre os integrantes da delegação estão os deputados federais André Janones (Rede-MG), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Pedro Uczai (PT-SC) e Pedro Campos (PSB-PE). A agenda inclui encontros com parlamentares do Partido Democrata, representantes da Organização dos Estados Americanos (OEA) e integrantes da Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

A missão ocorre em um momento de tensão diplomática e política, poucos dias após o governo do presidente Donald Trump anunciar a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) em listas americanas de organizações terroristas. A decisão provocou reações divergentes no Brasil e abriu um novo debate sobre o combate ao crime organizado transnacional.

Segundo integrantes da comitiva, um dos objetivos da viagem é apresentar a posição de parlamentares da base governista de que o enfrentamento às facções criminosas deve ocorrer por meio da cooperação policial, financeira, jurídica e diplomática entre os dois países, sem a necessidade de enquadrar os grupos como organizações terroristas.

Os parlamentares argumentam que a classificação pode gerar impactos sobre a soberania brasileira e abrir espaço para interpretações que ampliem a atuação extraterritorial dos Estados Unidos em temas relacionados à segurança pública. A avaliação do grupo é que o combate ao PCC e ao Comando Vermelho deve continuar sendo conduzido pelas instituições brasileiras, com apoio internacional e observância das normas do direito internacional.

Além da questão da segurança, a delegação também pretende discutir temas econômicos, incluindo os efeitos de medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos que afetam setores produtivos brasileiros. A expectativa dos parlamentares é ampliar o diálogo com autoridades e representantes políticos americanos sobre os impactos dessas decisões para as relações bilaterais.

A viagem acontece em um cenário de crescente internacionalização da política brasileira. Nos últimos anos, tanto governistas quanto oposicionistas passaram a buscar interlocução com atores políticos estrangeiros para defender posições relacionadas a temas internos do país.

Enquanto apoiadores da classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas afirmam que as facções operam redes internacionais de tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro que ultrapassam as fronteiras brasileiras, críticos da medida sustentam que a estratégia mais eficaz continua sendo a cooperação entre instituições nacionais e internacionais de investigação e repressão ao crime organizado.

Embora analistas avaliem que a missão tenha poucas chances de alterar uma decisão já anunciada por Washington, a iniciativa demonstra a preocupação de setores do governo brasileiro com os possíveis desdobramentos políticos, jurídicos, diplomáticos e econômicos da medida adotada pelos Estados Unidos.

Independentemente dos resultados práticos das reuniões, a viagem reforça a dimensão internacional que temas de segurança pública, relações comerciais e disputas políticas brasileiras passaram a assumir nos últimos anos.

Redação com informações do blog do jornalista Fernando Vieira (BandNews) e portal

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