
Foto: Arte/Portal de Prefeitura
A decisão da prefeita de Serra Talhada, Márcia Conrado (PT), de recusar uma ambulância de UTI Móvel de alta complexidade enviada pelo Governo de Pernambuco continua gerando muita repercussão e levantando críticas sobre as prioridades da administração municipal. O episódio ganhou novos contornos após a divulgação do ofício encaminhado pela Secretaria Municipal de Saúde à Secretaria Estadual de Saúde, no qual o município oficializa o desinteresse em receber o veículo.

O documento contrasta com a justificativa apresentada publicamente pela prefeita. Inicialmente, Márcia Conrado afirmou que a ambulância seria recusada porque Serra Talhada não possui hospital municipal e, por isso, o veículo “ficaria parado”. No entanto, o ofício aponta outra motivação: a gestão alega não dispor de condições financeiras, administrativas e operacionais para manter uma equipe especializada e garantir o funcionamento contínuo da unidade de suporte avançado.
A decisão provocou comparações imediatas com municípios vizinhos. Em Salgueiro, o prefeito Fábio Lisandro (PSD) fez questão de ir ao Recife receber uma ambulância de UTI Móvel das mãos da governadora Raquel Lyra (PSD) e destacou a importância do equipamento para fortalecer o atendimento à população. Além da unidade de suporte avançado, o município também foi contemplado com uma ambulância do programa Colo de Mãe.
O contraste entre as duas posturas reforçou o debate sobre o papel da política na gestão da saúde pública. Críticos da decisão afirmam que a administração de Serra Talhada deixou de priorizar um equipamento que poderia ampliar a capacidade de atendimento e transporte de pacientes em estado grave, sobretudo em um município que é referência regional e realiza constantes transferências para unidades especializadas.
Mais do que uma divergência administrativa, o episódio reacende a discussão sobre até que ponto diferenças políticas entre gestores podem interferir na aceitação de investimentos públicos. Para a população, pouco importa a origem do benefício. Em uma emergência, o que se espera é que existam ambulâncias equipadas, profissionais preparados e estrutura disponível para salvar vidas. Quando um equipamento de alta complexidade é recusado, a impressão que fica é de que a disputa política acabou ocupando um espaço que deveria ser reservado exclusivamente ao interesse público.
Redação com informações do Portal de Prefeitura





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