
Moradores da comunidade rural da Clarinha, na zona rural de Itapetim-PE, afirmam que, além de enfrentarem há cerca de dois meses problemas com o abastecimento de água, agora também perderam um importante espaço de diálogo utilizado para discutir as demandas coletivas da localidade.
Segundo relatos da população, o grupo de WhatsApp da comunidade era utilizado como um canal aberto para que os moradores compartilhassem informações, denunciassem problemas relacionados ao abastecimento de água e debatessem soluções de interesse coletivo. No entanto, nesta semana, os participantes foram surpreendidos com uma mudança nas configurações do grupo.
De acordo com os moradores, a diretoria do Sistema Integrado de Saneamento Rural (Sisar) restringiu o envio de mensagens apenas aos administradores, impedindo que os demais integrantes se manifestem. A decisão provocou forte reação entre os usuários, que classificaram a medida como uma forma de silenciar as reivindicações da comunidade.
A insatisfação levou à criação de um novo grupo de WhatsApp, organizado pelos próprios moradores. A iniciativa busca restabelecer um espaço livre para que a população possa continuar debatendo os problemas enfrentados pela comunidade, especialmente a falta de água, que, segundo os relatos, já se prolonga por aproximadamente dois meses.
Um morador, que pediu para não ter a identidade revelada, afirmou que a restrição das mensagens teria ocorrido logo após integrantes do grupo divulgarem informações sobre a composição da diretoria do Sisar, tema que, segundo ele, era desconhecido por grande parte da comunidade.
“A notícia sobre quem realmente integra a diretoria causou grande repercussão entre os moradores. Pouco tempo depois, veio a decisão de impedir que os participantes enviassem mensagens no grupo. Para nós, isso foi uma forma de censura”, declara.
A alegação sobre a motivação da medida, no entanto, é atribuída exclusivamente aos moradores e não foi confirmada oficialmente pela direção do Sisar.
Enquanto aguardam uma solução para a retomada regular do abastecimento de água, os moradores afirmam que continuarão mobilizados por meio do novo grupo, com o objetivo de fortalecer a participação popular e cobrar mais transparência na gestão do sistema de abastecimento da comunidade.

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