
O Instituto Ricardo Brennand, na Zona Oeste do Recife, recebe a exposição “Todos falam de mim, ninguém me representa: um olhar indígena sobre a obra de Rugendas”, que já está aberta ao público. A mostra estabelece um diálogo inédito entre o pintor alemão Johann Moritz Rugendas e a produção contemporânea do artista indígena Ziel Karapotó, convidando o visitante a refletir sobre as formas históricas de representação dos povos originários.

Radicado em Pernambuco, Karapotó parte de sua vivência na comunidade Karapotó Terra Nova para construir uma leitura crítica das imagens produzidas por Rugendas no século XIX. As obras do artista europeu, conhecidas por retratar indígenas e pessoas escravizadas sob uma perspectiva eurocêntrica, são revisitadas a partir de um novo ponto de vista, que prioriza a autorrepresentação indígena. Na exposição, esse diálogo se materializa em uma interlocução direta com 12 litografias aquareladas pertencentes ao acervo do instituto.

A curadoria é assinada pelo próprio Karapotó em parceria com a antropóloga e diretora do espaço, Nara Galvão. Juntos, eles propõem uma contranarrativa visual que questiona padrões históricos da arte e amplia o debate sobre identidade, memória e pertencimento. A iniciativa também reforça a proposta de uma museologia mais plural, ao abrir espaço para diferentes vozes e perspectivas no circuito artístico.

Entre os destaques da mostra está uma grande instalação desenvolvida ao longo de quatro anos de pesquisa sobre a obra de Rugendas. O público também pode conferir vídeos, performances, fotografias, pinturas e desenhos que compõem o percurso expositivo. A proposta vai além da revisão histórica e busca provocar novas formas de olhar e interpretar o passado.

Além do aspecto artístico, a exposição dialoga com pautas educacionais e culturais contemporâneas. O projeto contribui para a valorização da diversidade étnica brasileira — país que abriga centenas de povos indígenas e línguas distintas — e se alinha à Lei 11.645/2008, que determina a inclusão da história e cultura indígena no currículo escolar.

A exposição segue em cartaz até 31 de maio, com visitação de terça a domingo, das 13h às 17h. Os ingressos custam R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia), podendo ser adquiridos na bilheteria ou pelo site oficial do instituto.
Fotos: Batucada Produtora/divulgação





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