Janela partidária redefine forças na Alepe e amplia base governista em Pernambuco

Foto: Jc Imagem

O encerramento da janela partidária provocou uma reconfiguração significativa no cenário político da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), consolidando a base de apoio da governadora Raquel Lyra e redesenhando o equilíbrio entre governistas e oposição na Casa.

Durante o período, iniciado em 5 de março e finalizado na última sexta-feira (3), 24 deputados estaduais trocaram de partido sem risco de perda de mandato. O movimento teve como principal beneficiado o PSD, legenda presidida pela governadora no estado, que saiu de nenhuma representação para uma bancada de oito parlamentares, tornando-se um dos pilares do governo.

A migração para o PSD, aliada ao fortalecimento de outras siglas alinhadas ao Palácio do Campo das Princesas, garantiu ao Executivo uma maioria confortável na Alepe. Ao todo, a base governista passa a contar com 35 deputados, contra 12 da oposição e dois independentes, configurando um cenário de predominância governista, ainda que com possibilidade de disputas em votações mais sensíveis.

Mesmo com o avanço do governo, o Progressistas encerrou a janela como a maior bancada da Casa, com 11 deputados. Em federação com o União Brasil, o grupo alcança 12 cadeiras e mantém relevância dentro do bloco governista, embora alguns integrantes, como Romero Albuquerque, tenham liberdade para dialogar com a oposição liderada pelo prefeito do Recife, João Campos.

A oposição se reorganiza principalmente em torno do PSB, que, apesar de perder duas cadeiras, permanece como principal força adversária. Com sete parlamentares, o partido reforça sua atuação com o retorno de Diogo Moraes e Waldemar Borges, que haviam deixado a legenda durante o episódio da CPI da Publicidade.

Outro destaque da nova configuração é o crescimento do Podemos, que passou a contar com seis deputados, incluindo Edson Vieira, que deixou a oposição para integrar a base governista. O Partido Novo também passa a ter representação com a entrada de Renato Antunes.

Por outro lado, algumas siglas perderam espaço ou deixaram de existir na Alepe. O PSDB ficou sem representação após perder seus quatro deputados, enquanto PSOL e PCdoB também perderam suas cadeiras. O Solidariedade teve sua bancada integralmente absorvida pelo Podemos, e o PRD viu seus representantes migrarem para PSD e PSB.

A federação formada por PT, PV e PCdoB segue formalmente na base governista, reunindo oito parlamentares, mas com dissidências internas. Os deputados Dani Portela e João Paulo Costa, agora no PT, adotam postura de oposição ao governo estadual.

O MDB permanece dividido: enquanto o presidente da Alepe, Álvaro Porto, mantém posição de enfrentamento ao governo, o deputado Jarbas Filho segue alinhado à gestão estadual.

Com a nova correlação de forças, o governo deve ampliar sua capacidade de articulação interna, especialmente na disputa por espaço nas comissões permanentes. A partir da nova proporcionalidade partidária, legendas que cresceram poderão solicitar a redistribuição de vagas nos colegiados.

O foco do Executivo está nas comissões de Constituição, Legislação e Justiça (CCLJ) e de Administração Pública, consideradas estratégicas para a tramitação de projetos. Atualmente sob influência da oposição, esses colegiados têm sido pontos de resistência à agenda governista.

Embora os presidentes e vice-presidentes das comissões não possam ser substituídos antes do fim dos mandatos, a recomposição das cadeiras pode garantir maioria ao governo e reduzir a capacidade de obstrução. O processo será conduzido por Álvaro Porto, sem prazo regimental definido.

No plano federal, a janela partidária também alterou a bancada pernambucana. O PSD passou a contar com três deputados federais, após as filiações de Fernando Monteiro, Guilherme Uchôa Jr. e Túlio Gadêlha.

Outras mudanças incluem a ida de Fernando Rodolfo para o PRD, a filiação de Mendonça Filho ao PL e a migração de Pastor Eurico para o PSDB. O PSB perdeu Guilherme Uchôa, mas incorporou Maria Arraes, fortalecendo o grupo político de João Campos. Já o MDB recebeu Luciano Bivar, que deixou o União Brasil.

Arte jc

O novo cenário político consolida o predomínio governista em Pernambuco, ao mesmo tempo em que mantém espaços de tensão e rearranjos estratégicos tanto na esfera estadual quanto federal.

Arte/JC

Redação com informações e fotos do Jornal do Commercio

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